quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

ESPECIAL MÚSICAS DO MUNDO

E a música especial de hoje é...

CHIQUINHA GONZAGA - «Atraente»

Poet'anarquista

CARTOON versus QUADRAS

Efeitos Secundários
HenriCartoon

«EFEITOS SECUNDÁRIOS»

Compadre Zé, assim não dou entendido…
Então o amigo diz não parar de vomitar,
 Que anda em constantes diarreias a cagar,
E come carne de cavalo? Anda deprimido??

Mas explique então o que se está a passar…

-Veja com atenção Stoura... já tá percebido???
Perdi muitos quilos, agora preciso engordar…

Ahh!... a carne de cavalo faz todo o sentido!!  

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(28 de Fevereiro de 1935, morre a compositora e pianista brasileira Chiquinha Gonzaga)

CHIQUINHA GONZAGA - «Heloisa»

Poet'anarquista

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

CARTOON versus QUADRA

O Óscar mais Aguardado
HenriCartoon

«O ÓSCAR MAIS AGUARDADO»

E o Óscar da melhor música é…

Grân-do-la, Vila More-e-na
Terra da infertilida-a-de...
O povo é quem mais se enga-a-na,
Quando chega a hora da verda-a-de!

POETA

POESIA - RUY BELO

O poeta e ensaísta português Rui de Belo, conhecido por Ruy Belo, nasceu em São João da Ribeira, Rio Maior, a 27 de Fevereiro de 1933. Apesar do breve período de actividade literária, tornou-se um dos mais importantes poetas da segunda metade do séc. XX, tendo as suas obras sido reeditadas por diversas vezes. Destacou-se ainda na tradução de autores como Antoine de Saint-Exupéry, Montesquieu, Jorge Luís Borges e Frederico García Lorca. Ruy Belo faleceu em Queluz, a 8 de Agosto de 1978.
Poet'anarquista
Ruy Belo
Poeta Português
SOBRE O POETA…

Poeta e ensaísta português, natural de São João da Ribeira, Rio Maior. Licenciado em Filologia Românica e em Direito pela Universidade de Lisboa, obteve o grau de doutor em Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada «Ficção Literária e Censura Eclesiástica». Exerceu, ainda que brevemente, um cargo de diretor-adjunto no então ministério da Educação Nacional, mas o seu relacionamento com opositores ao regime da época, a participação na greve académica de 1962 e a sua candidatura a deputado, em 1969, pelas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, levaram a que as suas atividades fossem vigiadas e condicionadas.

Ocupou, ainda, um lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid (1971-1977). Regressado, então, a Portugal, foi-lhe recusada a possibilidade de lecionar na Faculdade de Letras de Lisboa, dando aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino noturno. Em 1991 foi condecorado, a título póstumo, com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada. 

Tendo sido, na sua passagem pela imprensa, diretor literário da Editorial Aster e chefe de redação da revista Rumo, os seus primeiros livros de poesia foram Aquele Grande Rio Eufrates (1961) e O Problema da Habitação (1962). Às coletâneas de ensaios Poesia Nova (1961) e Na Senda da Poesia (1969), seguiram-se obras cuja temática se prende ao religioso e ao metafísico, sob a forma de interrogações acerca da existência. É o caso de Boca Bilingue (1966), Homem de Palavras(s) (1969), País Possível (1973, antologia), Transporte no Tempo (1973), A Margem da Alegria (1974), Toda a Terra (1976) e Despeço-me da Terra da Alegria (1977).

O versilibrismo dos seus poemas conjuga-se com um domínio das técnicas poéticas tradicionais. A sua obra, organizada em três volumes sob o título Obra Poética de Ruy Belo, em 1981, foi, entretanto, alvo de revisitação crítica, sendo considerada uma das obras cimeiras, apesar da brevidade da vida do poeta, da poesia portuguesa contemporânea. 
Fonte: Astormentas


MAS QUE SEI EU

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono

Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como qualquer outra folha

 Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

Ruy Belo

COMO QUEM ESCREVE COM SENTIMENTOS

Estou sujeito ao tempo sou este momento
perguntam-me quem fui e permaneço mudo
o tempo poisa-me nos ombros em relento
partiu no vento essa mulher e perdi tudo

Já não virá ninguém por muito que vier
em vão esperei a rosa da minha roseira
quando um pássaro sai dos olhos da mulher
é porque ela é de longe e não da nossa beira

Resta-me um sonho desconexo e desconforme
Na haste da camélia que o vento quebrou
jamais a vida branca como ela dorme
Eu era essa camélia e nunca mais o sou

A minha vida é hoje um sítio de silêncio
a própria dor se estreme é dor emudecida
que não me traga cá notícias nenhum núncio
porque o silêncio é o sinónimo da vida

O mundo para além dessa mulher sobrava
tudo vida vulgar tumultuária e cega
o brilho do olhar equilibrava a chuva
nas suas costas hoje toda a luz se apaga

Mulher que um golpe de ar me pôde arrebatar.
enfim não existia ou só ela existia
Asas que ela tivesse deixou-as queimar
e tê-la-á levado estranha ventania

Daqueles traços fisionómicos de pedra
não quero já ouvir a voz que às vezes vem
na calma destacada por um cão que ladra
Não há ninguém perto de mim sinto-me bem

Cada casa que roço é escura como um poço
se sou alguma coisa sou-o sem saber
sossego solitário sem mistério isso
talvez tivesse sido o que sempre quis ser

As flores vinham nela e era primavera
mas tanto a nomeei e tanto repeti
erros numa estratégia imprópria para ela
tamanho amor expus que cedo a consumi

A noite quando ao fim descer decerto há-de
ser certa solução. Foi há muito a infância
Ao tempo o que tu tens tu bem o sabes cede
estendo as mãos talvez te fique a inocência

A vida é uma coisa a que me habituei
adeus susto e absurdo e sobressalto e espanto
A infância é uma insignificância eu sei
e apenas por a ter perdido a amamos tanto

Estou sozinho e então converso com a noite
das palavras que nos subjugam nos submetem
As coisas passam e em vez delas é aceite
o nosso sistema de signos onde as metem

Esta minha existência assim crepuscular
devida àquela que é rastos destroços restos
acusa hoje alguma intriga consular
de quem não tem cabeça a comandar os gestos

Foi uma rosa rubra a autora desta obra
aberta e arrogante grácil flor do instante
que triunfante não há coisa que não abra
para ferir quem a viu e morrer de repente

E noite sou e sonho e dor e desespero
mero ser sórdido e ardido e encardido
mas já não tarda a abrir-se na manhã que espero
um arco com vitrais aos vendavais vedado

E embora a minha fome tenha o nome dela
e da água bebida na face passada
não peço nada à vida que a vida era ela
e que sei eu da vida sei menos que nada

Ruy Belo

MORTIS CAUSA

Mulher de gestos dia a dia mais pequenos,
fosses tu qualquer coisa, uma cadeira ao menos
houvesse para ti sempre lugar em tua casa
e não ires um dia assim convencional serena
como papel ou lixo pela escada abaixo

Mulher espremida enquanto deste vida
e resumida à pequenina luz que se liberta
do gesto estritamente necessário linha recta
para anular o espaço entre a mão e a coisa
movimentos dos dias divergentes de outros dias
E tudo vai moendo e remoendo momento a momento
triturando colhendo arrepanhando
face ficta fraca e fixa
a fruta em frente fita, frígida fremente

Ruy Belo

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Escolha musical da blogosfera )

SÍLVIO RODRIGUEZ - «Mi Unicornio Azul»

Poet'anarquista


MEU UNICÓRNIO AZUL

Meu unicórnio azul ontem se perdeu
Pastando o deixei ,e desapareceu
Qualquer informação, eu vou recompensar
As flores que deixou, não querem me falar

Meu unicórnio azul ontem se perdeu
Não sei se ele se foi, ou se extraviou
E eu não tenho mais que um unicórnio azul
Se alguém sabe dele, eu peço informação
Cem mil ou um milhão...Eu pagarei
Meu unicórnio azul, ontem se perdeu...se foi

Meu unicórnio azul e eu fizemos amizade
Um pouco com amor, um pouco com verdade
com seu corno anil pescava uma canção
sabe-la partilhar era sua vocação

Meu unicórnio azul ontem se perdeu
E pode parecer, talvez uma obsessão
Mas eu não tenho mais que um unicórnio azul
E ainda que tivesse dois, eu só quero aquele
Qualquer informação ,eu pagarei
Meu unicórnio azul, ontem se perdeu...se foi

Sílvio Rodriguez

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CARTOON versus QUADRAS

Em Nome do Pai
HenriCartoon

«EM NOME DO PAI»

Trago este mealheiro pra devolver…
 Está ultrapassado, apresento fatura,
As moedas não cabem na ranhura
E eu não sei mais como enriquecer!

Qual o nome de cliente, pobre criatura…
Preciso introduzir para o sistema saber
E dar baixa desse artigo de ruim feitura…
As finanças não poderão ficar a perder!

Sou Igor Gaspar, a grande cavalgadura!...
Das finanças, não se está mesmo a ver!?
Este já nem o pai é capaz de reconhecer,
Será possível ignorar uma triste figura??

Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo…
Quando chega ao fim o penoso tormento???

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(26 de Fevereiro de 2008, morre o baterista norte-americano Buddy Miles)

BUDDY MILES * JIMI HENDRIX * BILLY COX
«The Power of Soul»

Poet'anarquista

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

POEMA DE CESÁRIO VERDE

No dia 25 de Fevereiro de 1855, nascia em Lisboa o poeta português José Joaquim Cesário Verde, mais conhecido no meio literário por Cesário Verde. Aqui- «POESIA - CESÁRIO VERDE» poderá ler sobre vida e obra deste autor português, que tão prematuramente nos deixou. O poema que hoje se propõe tem por título, «O Sentimento de um Ocidental». Boa leitura!
Poet'anarquista
Cesário Verde
Poeta Poertuguês

O SENTIMENTO DE UM OCIDENTAL

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga, os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos,
Embrenho-me a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinido de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!

II 

Noite Fechada 

Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de >!

E eu desconfio, até, de um aneurisma
Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes;
À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes,
Chora-me o coração que se enche e que se abisma.

A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.

Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:
Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
Assim que pela História eu me aventuro e alargo.

Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.

Mas, num recinto público e vulgar,
Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras,
Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras,
Um épico doutrora ascende, num pilar!

E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,
Nesta acumulação de corpos enfezados;
Sombrios e espectrais recolhem os soldados;
Inflama-se um palácio em face de um casebre.

Partem patrulhas de cavalaria
Dos arcos dos quartéis que foram já conventos:
Idade Média! A pé, outras, a passos lentos,
Derramam-se por toda a capital, que esfria.

Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.

E mais: as costureiras, as floristas
Descem dos magasins, causam-me sobressaltos;
Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos
E muitas delas são comparsas ou coristas.

E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.

III 

Ao Gás 

E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arripia os ombros quase nus.

Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso
Ver círios laterais, ver filas de capelas,
Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,
Em uma catedral de um comprimento imenso.

As burguesinhas do Catolicismo
Resvalam pelo chão minado pelos canos;
E lembram-me, ao chorar doente dos pianos,
As freiras que os jejuns matavam de histerismo.

Num cutileiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.

E eu que medito um livro que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem;
Casas de confecções e modas resplandecem;
Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe.

Longas descidas! Não poder pintar
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
A esguia difusão dos vossos reverberos,
E a vossa palidez romântica e lunar!

Que grande cobra, a lúbrica pessoa,
Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo!
Sua excelência atrai, magnética, entre luxo,
Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa.

E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traine imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.

Desdobram-se tecidos estrangeiros;
Plantas ornamentais secam nos mostradores;
Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores,
E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros.

Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tornam-se mausoléus as armações fulgentes.

>
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim!

IV 

Horas Mortas 

O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhoes! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados. >

Cesário Verde

MÚSICAS DO MUNDO

E  a música de hoje é...

BLITZ - «Volta ao Mundo»

Poet'anarquista


VOLTA AO MUNDO

Estive aqui pensando, uma maneira de acabar,
De acabar com essa paz,
Com essa paz insuportável

Que temos vivido
Aí eu fico mudo
Eu sei eu não me iludo
Mais um dia ainda me mudo
«Prum» país oriental
È um povo amarelinho, só come com dois pauzinhos
Tem os «óios» puxadinhos mas são valentes pra cachorro
Tái o Kung Fu e o mestre Fu Manchu
Arroz «cololido»,camarões empanados
E salve o broto do bambu
Perguntei ao Kung Fu

Quem vence o Fla-Flu

Me mandou tomar no cu
E ainda disse invocado

Estou cansado de cinema
Vou morar em Ipanema
Pois tive uns contatos
Dos tais imediatos
Com uma nega de Bangu
Fiquei invocado com aquele gafanhoto

Careca meio escroto
E me mandei daquelas bandas
Das bandas do oriente azeite não é meu parente
Larguei o ping-pong
Vesti o meu sarongue
Um mês com King-Kong na África
Por terra, por mar, pelo ar
Eu e meu amigo Júlio
Eu disse Júlio Tal do Verne

Dando a volta ao mundo
78 dias, 79 dias no 80 quero estar...
Quero estar no Rio Voei!
Voei pro Havaí

Conheci uma havaiana

Que se chamava Ana
E digo a gata era uma onda

Parecia Jane Fonda
Tinha algo da Gioconda
Sorria enigmática
Sabia matemática
Noves fora nada absurdo

Por terra, por mar, pelo ar

Eu e meu amigo Júlio
Eu disse Júlio tal do Verne

Dando a volta ao mundo
78 dias, 79 dias no 80 quero estar...
Quero estar no Rio, cheguei

Blitz

POESIA - FILINTO ELÍSIO

O poeta e tradutor português do neoclassicismo Francisco Manuel do Nascimento, de pseudónimo Filinto Elísio, ou ainda Nisceno, nasceu em Lisboa a 23 de Dezembro de 1734. Pertenceu à sociedade literária «Grupo da Ribeira das Naus», cujos membros adoptavam nomes simbólicos. Filinto Elísio faleceu em Paris, França, a 25 de Fevereiro de 1819.
Poet'anarquista
Filinto Elísio
Poeta Português
SOBRE O POETA…

Poeta português. De origem humilde, tornou-se sacerdote. Francisco Manuel do Nascimento conviveu com a futura marquesa de Alorna, dela recebendo o nome arcádico de Filinto Elísio. Pertenceu ao círculo poético do Grupo da Ribeira das Naus, entrando em disputas com os poetas da Arcádia Lusitana. 

Uma denúncia feita à Inquisição obrigou-o a refugiar-se em França, em 1778, devido às suas ideias enciclopedistas e liberais. Aí conheceu personalidades importantes da cultura francesa, como o poeta Lamartine. Com dificuldades económicas crescentes, viu-se obrigado a escrever, a ensinar e a fazer traduções para garantir a sobrevivência. Entre os autores que traduziu encontram-se Chateaubriand (Os Mártires, 1816), Longino, La Fontaine, D'Alembert, Sóror Mariana Alcoforado (Lettres Portugaises) e Wieland (excertos de Oberon). As suas Obras Completas foram editadas em Paris (1817-1819, 11 tomos). 

Admirador de Horácio, defensor dos ideais iluministas e enciclopedistas, e das revoluções francesa e americana, a permanência em França marcou a sua obra. Nesta lamenta o obscurantismo português, evoca a gastronomia e os costumes pátrios, retrata as dificuldades e a tristeza crescentes da sua doença e da sua velhice. 

O seu estilo segue os preceitos da estética classicista arcádica, sendo um defensor enérgico do purismo da língua. Apesar deste formalismo, muitos dos seus poemas reflectem uma grande intensidade emocional, no que têm de revolta e de sofrimento pessoais, o que faz com que alguns o considerem já precursor do romantismo. Cultivou praticamente todos os géneros da poesia clássica.
Fonte: Astormentas 

UNS LINDOS OLHOS, VIVOS, BEM RASGADOS

Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
    Um garbo senhoril, nevada alvura;
    Metal de voz que enleva de doçura,
    Dentes de aljôfar, em rubi cravados:

Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
    Alvo peito, que cega de candura;
    Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
    Uma graça, que rouba mil agrados.

Mil extremos de preço mais subido
    Encerra a linda Márcia, a quem of'reço
    Um culto, que nem dela inda é sabido:

Tão pouco de mim julgo que a mereço,
    Que enojá-la não quero de atrevido
    Co' as penas, que por ela em vão padeço.

Filinto Elísio

TEM A VIRTUDE O PRÉMIO

Tardio às vezes, sempre merecido,
    Tem a Virtude o prémio aparelhado
    Ao profícuo talento, ao peito honrado,
    Que do dever o stádio tem corrido.

O Sábio, que dos louros esquecido
    Só no obrar bem os olhos tem cravado
    Inópino também se acha c'roado
    Por mãos sob'ranas c'o laurel devido

Útil à Pátria seja, as paixões dome,
    Seja piedoso, honesto, afável, justo;
    Que no futuro o espera ínclito nome.»

Assim falou Minerva ao Coro augusto,
    Pondo no Templo do imortal Renome,
    De glória ornado, o teu prezado Busto.

Filinto Elísio

SAUDADE EXTREMA

I
Gentil Rola, que sobre o ramo seco,
    Desse viúvo freixo, brandas queixas
    Espalhas toda a noite, e escutas o eco
    Repetir-te mavioso iguais endechas:

II 
Não chores. Ouve a meu saudoso canto,
    Que excede quanta mágoa arroja a sorte:
    Ninguém, como eu padece extremo tanto,
    Que a ninguém roubou tanto a crua Morte,

III 
Tu viste Márcia: a Márcia, oh Rola, ouviste,
    Quanta beleza, oh Céus! quanta doçura!
    Tem coração de bronze quem resiste
    À dor de a ver no horror da sepultura.

IV
Tu podes ter formosa companhia
    Terna e fiel. Filinto desgraçado
    Te perdeu a sperança lisonjeira
    De achar Márcia em transunto inanimado. 

Filinto Elísio 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(24 de Fevereiro de 1943, nasce o músico e cantor cubano Pablo Milanés)

PABLO MILANÉS - «De Qué Callada Manera»

Poet'anarquista


ESSA FORMA TRANQUILA

De que forma tranquila
Eu estava sorrindo dentro de você
Como a primavera
Eu morrendo
E que subtilmente
Eu derramei em sua camisa
Todas as flores em Abril

Quem disse que eu estava sempre rindo
E nunca a chorar?
Como se a primavera
Eu não sou tanto!
Ao invés de espiritual
Você me dá uma rosa
Da sua roseira principal

De que forma tranquila
Eu estava sorrindo dentro de você
Como a primavera
Que eu morra
Que eu morra

Pablo Milanés

sábado, 23 de fevereiro de 2013

ESPECIAL MÚSICAS DO MUNDO

A 23 de Fevereiro de 1987, morre, em Setúbal, o cantor e compositor português de música de intervenção, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, conhecido por Zeca Afonso. Mais uma vez se recorda o músico português neste espaço, com dedicatória muito especial de uma poetisa e poeta populares alandroalenses, através do imaginário de palavras escritas e nunca ditas. Abril continua vivo dentro de nós, amigo Zeca!
Poet'anarquista
E a música especial de hoje é...
(23 de Fevereiro de 1987, morre o cantor e compositor José Afonso)

ZECA AFONSO - «Utopia»

Poet'anarquista


UTOPIA

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

Zeca Afonso - «Utopia»

Poet'anarquista

Dedicatória de (L...) e Matias José ao cantor de intervenção José Afonso

MOTE

São Cravos Senhor são Cravos
que vislumbro com desgosto...
tornaram-nos um POVO escravo,
caem lágrimas em tanto rosto!

Uma Alandroalense (L...)

Glosas

Eis que vos trago floridos
Cravos vermelhos de Abril
Regados com águas mil
Pra não serem esquecidos.
Libertaram-se os oprimidos
Prisioneiros feitos escravos
Por um Movimento de bravos
Conquistaram-se as liberdades,
Nos campos, vilas e cidades
São cravos, senhor são cravos!

Os Ideais estavam traçados
Para a revolução se cumprir
E os cravos poderem florir
Nos corações esperançados.
Mas vampiros esfomeados
Aos poucos, deixam Abril exposto,
Esse sonho lindo quase morto
Ninguém mais o quis comandar,
É uma Primavera a murchar
Que vislumbro com desgosto!

Começam então por atraiçoar
Princípios sagrados da revolução
O sofrimento de uma nação
Quarenta e oito anos a penar.
Abril acaba assim a asfixiar
 Do saque até ao último centavo
Portugal sem um único chavo
Resolve vender-se à TROIKA,
Está cozinhada a paparoca
Tornaram-nos um povo escravo!

As conquistas fundamentais
Que se julgavam garantidas
Depressa foram esquecidas
Por governantes irracionais.
Vários danos colaterais
Sempre em sentido oposto
Aos ideais de um Abril justo
Acabaram por nos tramar,
Vejo um povo a sufocar
Caem lágrimas em tanto rosto!

Matias José

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(23 de Fevereiro de 1685, nasce o compositor alemão Georg Friedrich Handel)

HANDEL - «Zadok The Priest»

Poet'anarquista

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

POESIA - SALVADOR ESPRIU

O poeta, escritor e dramaturgo espanhol Salvador Espriu i Castelló, nasceu em Santa Coloma de Farnés, a 10 de Julho de 1913. Grande recreador e defensor da língua catalã contemporânea, ficou igualmente conhecido como o poeta catalão da liberdade. Salvador Espriu faleceu em Barcelona, a 22 de Fevereiro de 1985.
Poet’anarquista
Salvador Espriu
Poeta Catalão
SOBRE O POETA…

Poeta, escritor e dramaturgo espanhol, Salvador Espriu i Castelló foi um dos grandes inovadores da literatura catalã contemporânea. 

Depois de estudar direito e interessado ​​em filologia clássica e educação, os seus objetivos nunca foram atingidos após a Guerra Civil Espanhola e à proibição da língua catalã. Por um longo período de inatividade, onde trabalhou num cartório, acaba de publicar um texto. 

Defensor da sua língua, Espriu foi um dos fundadores da Associação de Escritores em Língua Catalã e foi preso por protestar na ocasião com outros intelectuais da época. 

O seu trabalho inclui muitas obras com mais de 40 anos de carreira, destacando «Sinera Cemitério e Pele de Boi», a sua obra mais conhecida. 

Vencedor de prémios como Montaigne, o Prémio Honra de Letras Catalão ou Medalha de Ouro da Cidade de Barcelona, ​​Espriu foi nomeada para Prémio Nobel da Literatura em duas ocasiões.
Fonte: http://translate.google.com/

SEPHARAD

Às vezes é necessário e forçoso
que um homem morra por um povo,
mas nunca há-de morrer todo um povo
por um só homem: recorda isto sempre, Sepharad.

Faz que sejam seguras as pontes do diálogo
e tenta compreender e estimar
as razões e as falas várias dos teus filhos.

Que a chuva caia a pouco e pouco nas semeadas
e o ar passe como uma mão estendida
suave e mui benigna sobre os vastos campos.

Que Sepharad viva eternamente
na ordem e na paz, no trabalho,
na difícil e merecida
liberdade.

Salvador Espriu

À BEIRA DO MAR

À beira do mar. Tinha
uma casa, o meu sono
à beira do mar.

Alta proa. Por livres
caminhos de água, a esbelta
barca que eu governava.

Os olhos sabiam
todo o repouso e a ordem
de uma pequena pátria.

Como necessito
contar-te o espanto
que produz a chuva nos vidros!
Hoje cai fechada a noite
sobre a minha casa.

As rochas negras
atraem-me ao naufrágio.
Cativo do cântico,
o meu esforço, inútil,
quem pode guiar-me à alva?

Ao pé do mar tinha
uma casa, um lento sono.

Salvador Espriu

MINHA CIDADE E EU

Bebeu em goles
duras vinhos zombaria
meu povo e eu.

Ouvir forte
sabre argumentos
meu povo e eu.

Tal lição
tivemos que entender
meu povo e eu.

O mesmo destino
nos uniu para sempre:
meu povo e eu.

Servidor Senhor?
Somos inseparáveis
meu povo e eu.

Temos razões
contra os ladrões e abanadores da pimenta
meu povo e eu.

Palavras Salvàvem
da nossa língua
meu povo e eu.

Em escalões inferiores
luto aprendeu
meu povo e eu.

Davallats o bem
olhar para cima
meu povo e eu.

Nós dois de pé
em atraso de ignição,
meu povo e eu.

Salvador Espriu

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

PROCOL HARUM - «Skip Softly (moonbeams)»

Poet'anarquista


IR SUAVEMENTE (MEUS LUARES)

Ir suavemente, meus luares, evitar ser visto
Finja que talvez você é parte de um sonho
que (visto por outra pessoa como eu)
seria apenas o brilho sorrindo e aceno de cabeça a concordar

Ir suavemente, meus luares, pois eu ouvi dizer
que as escadas para o céu levam direto para o inferno
que o orgulho é a última coisa que vem antes de cair
eu logo falo com você como fazer amor com uma parede

Procol Harum

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CARTOON versus QUADRA

A Última Tentação de um Bispo
HenriCartoon

«A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE UM BISPO»

Bispo:
Meu Amo e Senhor, cedi aos pecados
Da carne ainda em estado prematuro,
Ensinai-me pois, o caminho da perdição…

Povo: 
Grândola, Vila Morena, terra da salvação...
Mas lá não tens entrada, eu te asseguro!
Porque serão os inocentes mal tratados?

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

STEVE RAY VAUGHAN - «Texas Flood»

Poet'anarquista


TEXAS FLOOD

Bem, tem inundação por todo o Texas...
Nenhuma linha telefónica está funcionando
Bem tem inundação por todo o Texas...
Nenhuma linha telefónica está funcionando
E eu estou tentando ligar pra minha baby...
Senhor e eu não consigo nenhum sinal

Bem, nuvens escuras estão se mexendo...
Eu estou na chuva
Bem, nuvens escuras estão se mexendo...
Eu, eu estou na chuva
Yeah, a água continua inundando...
Está prestes a me levar a pobre insanidade

Bem, eu estou te deixando baby...
Senhor e eu estou voltando para casa para ficar
Bem, eu estou te deixando baby...
Senhor e eu estou voltando para casa para ficar
Bem, de volta a minha casa, eu sei, inundações e tornados...
Baby o sol brilhará todos os dias

Steve Ray Vaughan

POEMA DE W. H. AUDEN

21 de Fevereiro de 1907, nasce o poeta anglo-americano W. H. Auden. Foi um dos mais importantes autores do séc. XX  e a grande voz da década de 1930, denunciando os males da sociedade capitalista, assim como alertando para os perigos da ascensão do totalitarismo. Pode ler aqui- «POESIA - W. H. AUDEN» sobre vida e obra do poeta. O poema que hoje se transcreve tem por título, «Se eu pudesse te contar». Boa leitura!
Poet'anarquista
W. H. Auden
Poeta Anglo-Americano

SE EU PUDESSE TE CONTAR

O tempo nada te dirá, mas eu te disse
O tempo só sabe o preço que temos que pagar
Se eu pudesse te dizer, eu o faria

Se chorarmos quando os palhaços começarem o show
Se tropeçarmos quando iniciar a música
O tempo nada te dirá, mas eu te disse

Embora não haja sortes a serem lidas
Porque te amo mais que consigo dizer
Se eu pudesse te contar, eu o faria

Devem os ventos vir de algum lugar quando sopram
Razões existem para que as folhas caiam
O tempo nada te dirá, mas eu te disse

Talvez desejem as rosas crescer
Talvez queira o sonho permanecer
Se eu pudesse te contar te deixaria saber

Suponha que todos os leões levantem e vão
E todos os soldados fujam com as correntes do rio
O tempo não dirá nada, mas eu lhe disse?.

Se eu pudesse te contar, eu o faria

W. H. Auden

CARTOON versus QUADRA

Grandolandia
HenriCartoon

«GRANDOLANDIA»

Zeca, a tua Grandolandia é de gritos...
Mas com falhanços na abordagem
Por se destinar à grande ladroagem…
Aqui, neste Paraíso, não há políticos!

POETA

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

MUDDY WATERS - «Louisiana Blues»

Poet'anarquista


LOUISIANA BLUES

Eu estou indo para baixo em Louisiana,
Baby, por trás do dom
Que eu estou indo para baixo em Louisiana,
Baby, atrás do sol.
Bem, você sabe que eu só descobri
Meu problema apenas começou.

Muddy Waters

POESIA - ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA

O poeta neogarretista, autor dramático e jornalista português António Correia de Oliveira, nasceu em S. Pedro do Sul, a 30 de Julho de 1878. Foi o primeiro escritor português a ser nomeado para o Prémio Nobel, mas acabou por ser Gabriela Mistral a vencedora. Na hora de receber o prémio,  e num gesto de grande humildade, a escritora referiu não ser ela a merecedora mas sim o autor do «Verbo Ser e Verbo Amar», António Correia de Oliveira. O poeta faleceu em Esposende, a 20 de Fevereiro de 1960.
Poet’anarquista
António Correia de Oliveira
Poeta Português
SOBRE O POETA…

Foi, sem dúvida, um dos poetas mais conhecidos da sua geração. Frequentou o Seminário de Viseu, mas interrompeu muito cedo os estudos – o que levaria, mais tarde, Maria Amália Vaz de Carvalho a considerar esse estado de «inocência do espírito» como uma das suas qualidades mais positivas. Tendo feito uma breve passagem pelo jornalismo no Diário Ilustrado, ingressou no funcionalismo público. A partir do 1912, data do seu casamento com uma senhora da aristocracia minhota, passou a viver na Quinta de Belinho, situada na freguesia das Antas, nas proximidades de Esposende.

Publicou o primeiro livro aos 16 anos, encontrando-se desde essa obra definida a sua arte poética: uma simplicidade na trova ao gosto popular, um pendor narrativo que aproxima mais a sua lírica de certo romantismo epigonal que da genuína tradição portuguesa, os temas de exaltação patriótica, que o transformaram, a partir de certa altura, no poeta «oficial» do regime político vigente – conceito, aliás, injustamente redutor.

Poeta de estro fácil, nele se conjugam o realismo junqueiriano, o idealismo cristão, o panteísmo tocado de saudosismo, à Pascoaes, do qual o separava a intuição filosófica: importa, todavia, não esquecer que a sua vastíssima bibliografia inclui também obras de longo fôlego e alta inspiração, como, em verso branco, as Tentações de Sam Frei Gil, 1907.

José Régio reconheceu nele «um cantor cheio de frescura e encanto, nas suas quadras e quintilhas em que a arte de Sá de Miranda se alia ao capricho da inspiração popular», e Jacinto do Prado Coelho diz, quanto ao lírico religioso, que, dos portugueses, «nenhum terá vivido com mais altura os mistérios do Génesis e da Redenção».

António Correia de Oliveira foi um dos companheiros de Raul Brandão, que a ele várias vezes se refere, com ternura, nas Memórias.
Fonte: http://www.dglb.pt/

A DESPEDIDA

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
- «Até logo»; «até à vista»:
Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus», é lindo, mas triste;
«Adeus» … A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo», é já mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista», lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

António Correia de Oliveira

O PERFUME

O que sou eu? – O Perfume, 
Dizem os homens. – Serei. 
Mas o que sou nem eu sei... 
Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem como um gume 
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo: 
Numa renda, um nada, eu vivo 
Vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão! 
– Eu sou a Recordação; 
Sou mais, ainda: a Saudade.

António Correia de Oliveira

PELA PÁTRIA

Ouve, meu Filho: cheio de carinho,
Ama as Árvores, ama. E, se puderes,
(E poderás: tu podes quanto queres!)
Vai-as plantando à beira do caminho.

Hoje uma, outra amanhã, devagarinho.
Serão em fruto e em flor, quando cresceres.
Façam os outros como tu fizeres:
Aves de Abril que vão compondo o ninho.

Torne fecunda e bela cada qual,
a terra em que nascer: e Portugal
Será fecundo e belo, e o mundo inteiro.

Fortes e unidos, trabalhai assim...
- A Pátria não é mais do que um jardim
Onde nós todos temos um canteiro.

António Correia de Oliveira

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

CARTOON versus QUADRAS

Recuperando umas quadras que escrevi no Al Tejo em publicação de 13 de Maio de 2010, com o título «Está Bonito, Está!»
Poet'anarquista
Limpeza no Poleiro
HenriCartoon

(Forças Ocultas)

«LIMPEZA NO POLEIRO»

Reconduzida por mais três anos
Por proposta do Procurador Geral...
Pretendem estes maganos 
Ocultar a justiça em Portugal!

É do conhecimento público
O famigerado caso Freeport…
Desenganem-se!... Não é único,
Num país governado à sorte!

Pinto Monteiro Procurador
E Cândida Almeida DCIAP...
Como um carro sem motor,
Nunca sai fumo do escape!

Diz Cândida:

José Sócrates em primeiro
Mas sem ser investigado,
E meu tio Júlio Monteiro…
Com indícios, pobre coitado!

Zé Povinho:

Assim vai a investigação
Neste (nosso?) pobre país...
Os culpados nunca são
Aqueles que a justiça diz!!!

POETA 

CARTOON versus QUADRA

Relvas, o Sensível
HenriCartoon

«RELVAS, O SENSÍVEL»

Coisas que irritam o seu sono:
Ouvir jovens a pedir emprego,
Desempregados ao abandono,
Muito ruído e pouco sossego!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Escolha musical de (L...) com dedicatória a sua Mãe!)

ANDREA BOCELLI - «Mamma»

Poet'anarquista


MAMÃ

Mamã estou tão feliz
Porque retorno para ti
A minha canção te diz
Que é o dia mais bonito pra mim
Mamã estou tão feliz
Viver longe por quê

Mamã, só para ti
A minha canção voa
Mamã, estarás comigo
Não estarás nunca sozinha
Quanto te quero bem
Estas palavras de amor
Que te suspira o meu coração
Talvez não se ouvem mais
Mamã, a minha canção mais bonita és tu
Tu és a vida e pela vida não te deixo nunca mais

Eu sinto a tua mão cansada
Procurar os meus cachos de ouro
Ouço e te falta a voz
A canção de ninar de então
Hoje a tua cabeça branca
Quero abraçar ao meu coração

Andrea Bocelli

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DÉCIMAS POPULARES DEDICADAS A (L ...)

Assinala-se a data de nascimento do grande poeta popular António Aleixo, dia 18 de Fevereiro de 1899 com a publicação das suas décimas populares, «A Gentil Camponesa». Pode ainda ler aqui- «POESIA - ANTÓNIO ALEIXO», aqui- «HOMENAGEM A ANTÓNIO ALEIXO» e aqui- «CRUZAMENTO DE ARTES», sobre vida e obra deste extraordinário poeta popular português do séc. XX. Boas leituras!
Poet'anarquista
«As Ceifeiras»
Pintor Português Silva Porto

A GENTIL CAMPONESA

MOTE 

Tu és pura e imaculada, 
Cheia de graça e beleza; 
Tu és a flor minha amada, 
És a gentil camponesa. 

GLOSAS 

És tu que não tens maldade, 
És tu que tudo mereces, 
És, sim, porque desconheces 
As podridões da cidade. 
Vives aí nessa herdade, 
Onde tu foste criada, 
Aí vives desviada 
Deste viver de ilusão: 
És como a rosa em botão, 
Tu és pura e imaculada. 

És tu que ao romper da aurora 
Ouves o cantor alado... 
Vestes-te, tratas do gado 
Que há-de ir tirar água à nora; 
Depois, pelos campos fora, 
É grande a tua pureza, 
Cantando com singeleza, 
O que ainda mais te realça, 
Exposta ao sol e descalça, 
Cheia de graça e beleza. 

Teus lábios nunca pintaste, 
És linda sem tal veneno; 
Toda tu cheiras a feno 
Do campo onde trabalhaste; 
És verdadeiro contraste 
Com a tal flor delicada 
Que só por muito pintada 
Nos poderá parecer bela; 
Mas tu brilhas mais do que ela, 
Tu és a flor minha amada. 

Pois se te tenho na mão, 
Inda assim acho tão pouco, 
Que sinto um desejo louco: 
Guardar-te no coração!... 
As coisas mais belas são 
Como as cria a Natureza, 
E tu tens toda a grandeza 
Dessa beleza que almejo, 
Tens tudo quanto desejo, 
És a gentil camponesa. 

António Aleixo

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

NICK CAVE & THE BAD SEEDS - «The Ship Song»

Poet'anarquista


A CANÇÃO NAVIO

Venha navegar seus navios ao redor de mim
E queimar suas pontes para baixo.
Nós fazemos um pouco de história querida
Toda vez que você se aproxima.
Venha perder seus cães em cima de mim
E deixe o seu cabelo solto.
Você é um pouco de mistério para mim
Toda vez que você se aproxima.

Falamos sobre isso a noite toda
Nós definimos a nossa moral.
Mas quando eu me arrastar em seus braços
Tudo desmorona.

Venha navegar seus navios ao redor de mim
E queimar suas pontes para baixo.
Nós fazemos um pouco de história querida
Toda vez que você se aproxima.

Seu rosto caiu triste agora
Para você saber o tempo está próximo
Quando eu preciso remover suas asas
E você, você deve tentar voar.

Venha navegar seus navios ao redor de mim
E queimar suas pontes para baixo.
Nós fazemos um pouco de história querida
Toda vez que você se aproxima.
Venha perder seus cães em cima de mim
E deixe o seu cabelo solto.
Você é um pouco de mistério para mim
Toda vez que você se aproxima.

Nick Cave & The Bad Seeds

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CARTOON versus QUADRA

O Barítono
HenriCartoon

«O BARÍTONO»

«Grândola, vila moren-en-na,
Terra da fraternida-a-de…»

-A TROIKA é quem mais orden-en-na,
Neste governo de austerida-a-de!

Ficaste mudo com a cena-en-na,
Vai-te embora que se faz ta-ar-de…

POETA