sábado, 31 de março de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

AGENDA CULTURAL DE ALANDROAL

Agenda Cultural - Abril de 2012

Já está disponível a Agenda Cultural do Município de Alandroal, para o mês de Abril. O destaque para este mês é a iniciativa “Alandroal ConVida à Saúde”, que se realiza no dia 21 de Abril e é dedicada à promoção da saúde.
Fonte: gabinete d’imprensa/ cmalandroal

Agenda Cultural
Abril/ 2012

Programação Agendada
Abril de 2012 - Agenda Cultural

POETAS DO CONCELHO D' ALANDROAL

XIX DÉCIMAS

Também esta semana são quadras, na publicação de «Poetas do Concelho d'Alandroal», pela mão da poetisa Maria Guilhermina Matias Galvão, nascida em Coruche a 21 de Outubro de 1941, e residente no Alandroal. De profissão doméstica, Guilhermina começou a escrever poesia quando tinha dezasseis anos.
Poet'anarquista
Maria Guilhermina Matias Galvão
Poetisa Popular

QUADRAS

Eu não quero que os meus versos
Sirvam de chacota a ninguém
Porque há coração perverso
Que só ri do que não tem.

Se forem lidos com atenção
E alguma sabedoria
Vão ver que os meus versos são
Água mole em pedra fria.

E depois de bem estudados
Se virem alguma beleza
Reparem que os meus versos são
Recados da natureza

Eu sinto tanta tristeza
Invadir-me o pensamento
Que estes recados da natureza
São mais velozes que o vento.

O recado aqui fica
Dado assim aos trambolhões
Eu pergunto aos senhores da terra
Onde estão seus corações?

À noite quando me deito
Não durmo, ponho-me a pensar
Vejo que assim deste jeito
Deus no céu, não os deixa entrar.

Maria Guilhermina

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

TCHAIKOVSKY - «Valsa das Flores»

Poet'anarquista

quinta-feira, 29 de março de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

CARLOS PAREDES - «Valsa»

Poet'anarquista

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Referente a 28 Março 2012)


RÃO KYAO - «Cor de Valsa»

Poet'anarquista

PINTURA - KOLOMAN MOSER

Koloman Moser nasceu em Viena de Áustria, a 30 de Março de 1868. Pintor na última fase da sua carreira artística, trabalhou em litografia, arte gráfica, selos postais para vinhetas, revistas, moda, vitrais, porcelanas e cerâmicas, vidro soprado,  prata, louças, jóias e móveis. Exerceu grande influência nas artes gráficas do séc. XX, tendo sido um dos principais artistas do Movimento Secessão de Viena e co-fundador da  Wiener Werkstatte . Koloman Moser faleceu em Viena, a 18 de Outubro de 1918.
Poet'anarquista
Koloman Moser
Pintor Austríaco

«Auto-Retrato»
Koloman Moser
SOBRE O PINTOR…

Koloman Moser estudou desenho e pintura na Akademie der Kunste, em Viena Bildenden 1885-1892. Em 1886 também estudou pintura na Malerschule Allgemeine. De 1893 a 1895, estudou design gráfico na Kunstgewerbeschule em Viena. Koloman Moser viria a ser aí professor em 1900. Em 1895 Koloman Moser trabalhou como artista gráfico e freelancer para várias editoras, em primeiro lugar para Martin Gerlach e mais tarde para H. Bruckmann. 

Muito versátil e prolífico, Koloman Moser desempenhou um papel activo nas tendências progressistas de arte da sua época. Kolomon Moser produziu objetos desenhados em vidro, móveis, metal e jóias, bem como artigos de couro, têxteis, encadernações de livros e brinquedos infantis. 

Em 1897 juntou-se Koloman Moser,  Josef Hoffmann, Otto Wagner, Adolf Loos, Joseph Maria Olbrich e Gustav Klimt na fundação da Secessão Vienense, um grupo de artistas que se separaram em protesto a partir das restrições impostas pelos académicos da Kunstlerhaus em Viena. A Secessão Vienense foi modelada a partir de Berlim (1892) e (1893) Munique Cisões. 

Até 1903, a Secessão Vienense publicou um jornal, «Ver Sacrum», do qual foi editor Koloman Moser, embora também tenha produzido inúmeras obras e projetos para o mesmo. Juntamente com o grupo, Klimt e Koloman Moser deixaram a Secessão Vienense em 1904, após disputas com outros membros. 

Em 1903 fundou a Koloman Moser Werkstatte Wiener com Josef Hoffmann e com o apoio do banqueiro Fritz Warndorfer. Koloman Moser permaneceu co-diretor do Werkstatte Wiener com Hoffmann até 1907. O Werkstatte Wiener produziu objetos de artesanato de todos os campos relacionados com arte; os designers trabalhavam em condições muito humanas que eram exemplares para a época. O objetivo do Werkstatte Wiener era assegurar que as artes plásticas e as artes decorativas e aplicadas estivessem em pé de igualdade. 

Consequentemente, todos os objetos produzidos pela Werkstatte Wiener não tinham apenas a marca do designer, mas também a do artesão que executou o projeto. Foi dada grande importância para garantir os mais elevados padrões de qualidade de fabricação e materiais. As obras Koloman Moser produzidas para o Werkstatte Wiener são realizadas por uma geometria rigorosa, uma característica fundamental do seu trabalho, exemplificado pela sua assinatura padrão de grade em preto-e-branco. 

Embora às vezes complexo em construção, os seus projetos subjacentes são distinguidos por uma grande clareza. Além de trabalhar para o Werkstatte Wiener, Koloman Moser também fez projetos para Loetz vidro, móveis para J. & J. Kohn, e têxteis para Johann Backhausen & Sohne. Depois de desentendimentos com Warndorfer, Koloman Moser deixou o Werkstatte Wiener, em 1908,  e posteriormente dedicou mais o seu trabalho artístico à pintura.
Fonte: http://www.kettererkunst.com/bio/koloman-moser-1868.shtml

«Litografia - Verão»
Koloman Moser

«Exlibris»
Koloman Moser

«Holy City»
Koloman Moser

«Amantes»
Koloman Moser

«Vénus na Gruta»
Koloman Moser

«Rapaz de Pé»
Koloman Moser

«As Três Graças»
Koloman Moser

«Piedade»
Koloman Moser

«MODERNISMO»

KOLOMAN MOSER

terça-feira, 27 de março de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

JOSÉ AFONSO - «O Que Faz Falta»

Poet'anarquista


O QUE FAZ FALTA

Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta

Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta

Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta

Quando um cão te morde a canela
O que faz falta
Quando a esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta

Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta

O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder a malta
O que faz falta

Zeca Afonso

segunda-feira, 26 de março de 2012

domingo, 25 de março de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

PETER TOSH - «Legalize It»

Poet'anarquista


LEGALIZE JÁ

Legalizá-la - Não criticá-la
Legalize e eu a anunciarei

Alguns a chamam de Tamjee
Alguns a chamam de erva
Alguns a chamam de Maconha
Alguns deles a chamam de Ganja

Legalizá-la - Não criticá-la
Legalize e eu a anunciarei

Cantores a fumam
E tocadores de instrumento também
Legalize,Yea-Ah Ye-Ah
Essa é a melhor coisa que você pode fazer
Doutores a fumam
Enfermeiras a fumam
Juízes a fumam
Os advogados também

Legalizá-la - Não criticá-la
Legalize e eu a anunciarei

É bom para a gripe
Bom para Asma
Bom para Tuberculose
Como também para Trombose de Numara

Legalizá-la - Não criticá-la
Legalize e eu a anunciarei

Pássaros a comem
Antas a adoram
Aves a comem
Cabras adoram brincar com ela

Peter Tosh

sábado, 24 de março de 2012

24 DE MARÇO - DIA DO ESTUDANTE

«Origens do Dia do Estudante»
A Crise Académica de 1962

Por Rui Grilo
(artigo publicado no Jornal da Universidade de Évora n.º 8, Abril de 1999)

Hoje não são muitos os que recordam as razões que identificam o dia 24 de Março com os estudantes. Para as compreendermos temos que recuar à crise académica de 1962 e às causas das lutas estudantis desde o início do século.

Em 1921 os estudantes da Universidade de Coimbra estavam em luta por melhores instalações. O espaço destinado à academia era muito reduzido, sobretudo quando comparado com as generosas acomodações dos professores. Estes tinham no Clube dos Lentes um símbolo do seu poder e da tradição universitária, pelo que os estudantes lhe chamavam "Bastilha". Demonstrando um espírito de união e solidariedade sem precedentes, os estudantes ocuparam o Clube dos Lentes no dia 25 de Novembro desse ano, marcando o seu protesto. Esse dia passou a ser conhecido como a "Tomada da Bastilha" e os seus aniversários comemorados como Dia do Estudante.

Foi assim até 1961. Nesse ano, como era hábito, as comemorações do 25 de Novembro reuniram em Coimbra estudantes de todo o País. Mais de duzentos participaram num jantar, durante o qual a frase "Queremos paz!" ecoou em protesto contra a Guerra Colonial, inspirando um animado cortejo pela cidade. A polícia apareceu e vários estudantes foram presos, o que suscitou uma vaga de apoio e indignação em todo o país. A tensão era visível nas academias do Porto e de Lisboa e marcou a inauguração da nova Reitoria na Cidade Universitária.

Foi neste clima que, já em 1962, se realizaram vários encontros de dirigentes associativos que deram origem a um Secretariado Nacional de Estudantes Portugueses e à realização, em Coimbra, do primeiro Encontro Nacional de Estudantes, ignorando a proibição que o Governo tinha decretado. Essa rebeldia foi paga pelos membros da direcção da Associação Académica, com a instauração de processos disciplinares e a correspondente suspensão. Os estudantes de Coimbra responderam com o luto académico e a greve às aulas.

Em Lisboa, as associações de estudantes pretendiam comemorar o Dia do Estudante no final de Março. E, mesmo sem autorização do Ministério da Educação Nacional, as comemorações iniciaram-se a 24 de Março de 1962. O regime respondeu com a sua brutalidade habitual. A cantina foi encerrada e a Cidade Universitária invadida pela polícia de choque, ignorando a autonomia universitária. Estudantes foram espancados e presos, desencadeando uma reacção de repúdio que levou a que fosse decretado o luto académico e a greve às aulas.

Marcelo Caetano era Reitor da Universidade de Lisboa e mediou uma solução negociada para o problema. Os estudantes voltavam às aulas, mas realizar-se-ia um segundo Dia do Estudante nos dias 7 e 8 de Abril. Assim fizeram os estudantes mas, chegada essa data, o Ministério voltou a proibir as comemorações. O Reitor sentiu-se desautorizado e demitiu-se. O luto académico foi reposto e os estudantes desceram do Campo Grande ao Ministério (então no Campo Mártires da Pátria) ao som do grito "Autonomia!".

A agitação continuou até ao fim desse ano lectivo, continuando a greve às aulas e repetindo-se confrontos entre estudantes e polícia em Lisboa, Porto e Coimbra. Em resposta, o Governo, demonstrando a sua habitual inflexibilidade, aprovou um decreto-lei que permitia ao Ministro da Educação proceder disciplinarmente contra os estudantes. Aplicando esses novos poderes, os dirigentes associativos foram suspensos e inúmeros estudantes presos.

Face a estes novos desenvolvimentos os estudantes dificilmente poderiam continuar a sua luta nos moldes que estavam a utilizar. Ainda assim, reuniram-se no Instituto Superior Técnico no dia 14 de Junho, onde aprovaram um resolução que enquadrava a sua luta pela autonomia universitária e a passou a orientar também para a autonomia associativa. Passou assim a estar em causa o Decreto-Lei n.º 40900, aprovado pelo Governo em 1956. Este diploma só permitia a tomada de posse dos dirigentes associativos depois de autorização do Ministério, previa a participação de um "delegado permanente do director da escola" em todas as reuniões associativas e dava ao Ministro o poder de substituir as direcções eleitas por "comissões administrativas" nomeadas por ele, suspender o seu funcionamento ou mesmo extingui-las.

Olhando a esta distância, parece desenhar-se uma sombra de ironia sobre estes acontecimentos por ter sido a tentativa autoritária do Governo de controlar as associações que ajudou a que os estudantes se unissem e empreendessem uma luta pela preservação das suas associações como um espaço de genuína democracia, embora pequeno numa sociedade fascista e ditatorial. É também curioso encontrar nestes episódios distantes da luta estudantil várias caras nossas conhecidas. Desde o actual Presidente da República, Jorge Sampaio, que na altura era Secretário-Geral da Reunião Inter Associações ao actual Reitor da Universidade de Évora, Jorge Araújo, que pertencia à direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, que então frequentava e do qual foi expulso na sequência da sua participação no Dia do Estudante e nos acontecimentos que se lhe seguiram.

De tudo isto ficou a memória e a data: 24 de Março, escolhida pela Assembleia da República quando em 1987 fixou o Dia do Estudante. E que bom que é poder assistir à manifestação livre das reivindicações dos estudantes, quer se concorde ou não com todas elas, num ambiente democrático de respeito pelos seus direitos, liberdades e garantias.
Fonte: O Leme

ESCULTURA - BERTEL THORVALDSEN

Albert Bertel Thorvaldsen, nascido a 19 de Novembro de 1770 em Copenhague, na Dinamarca, foi um importante escultor, juntamente com o grande mestre Canova, do período neoclássico escultórico. O seu trabalho passou a ter grande reconhecimento a partir da estátua de «Jason», o que lhe valeu grande fama e reputação nos anos que se iriam seguir. Thorvaldsen faleceu em Copenhague, a 24 de Março de 1844.
Poet'anarquista
Bertel Thorvaldsen
Por Friedrich von Amerling 
SOBRE O ESCULTOR…

Albert Bertel Thorvaldsen(Copenhague, 1770- id., 1848) foi um escultor dinamarquês, juntamente com Canova, o grande mestre da escultura neoclássica. Filho de um escultor em madeira, estudou por cinco anos na Royal Academy de Copenhague. 

Em 1797 estabeleceu-se em Roma, berço do neoclassicismo, a trabalhar com alguns dos mais eminentes representantes dessa corrente. Thorvaldsen é tão identificado com este ambiente artístico e cultural que, doravante, considerava a data da sua chegada em Roma como um segundo nascimento.

Em 1803, a estátua de «Jason», inspirada nas Doryphoros de Polykleitos, ganhou uma reputação que iria ter o seu apogeu no futuro. 

As comissões que recebeu dos principais diretores desse tempo, obrigaram a que tivesse um grande número de assistentes, em muitos casos verdadeiros autores das obras a partir de modelos desenhados pelo próprio.

Dedicou-se com grande empenho à estatuária, busto, relevo e escultura monumental, sempre com o desejo de reviver a grandeza da escultura grega.

Como os escultores da Grécia clássica, baseou o seu trabalho num ideal abstrato cânone de beleza única.

Desconectado da realidade, o seu idealismo teve considerável influência artística na sua obra. No entanto, por causa de uma personagem fria e excessivamente racional, os seus trabalhos não tiveram muita aceitação à época, provavelmente pela exaltação sentimental.
Fonte: Biografias.vidas.com
 «Três Graças»
Thorvaldsen

«Ganymedes Oferecendo o Copo»
Thorvaldsen

«Ganymedes Alimentando a Águia Zeus»
  Thorvaldsen


 «Ophelia»
Thorvaldsen 

«Máscara da Vida»
Thorvaldsen  

«Leão Ferido»
Thorvaldsen  

«Menino Pastor»
Thorvaldsen   

«NEOCLASSICISMO»

BERTEL THORVALDSEN

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

TERESA SALGUEIRO - «Sombra (Fado Nocturno)»

Poet'anarquista


SOMBRA (FADO NOCTURNO)

Se a noite escura demora
Cativa dentro do meu peito
Pressinto quando me deito
A voz de alguém, que hoje não vem
E mora em mim a toda hora

Falando grave e escondido
Por entre as coisas reais
Suspende a força da vida
E não é ninguém, ah e não é ninguém
Somente sombra e nada mais

Porém a voz que se ouvia
Morre com a noite no cais
E o sol agora me alumia

Teresa Salgueiro

sexta-feira, 23 de março de 2012

PINTURA - JUAN GRIS

O pintor espanhol José Victoriano Gonzáles Pérez, de pseudónimo Juan Gris, nasceu em Madrid a 23 de Março de 1887. Embora tenha falecido muito novo, contava apenas 40 anos, foi ainda assim um famoso pintor e escultor do seu país, representante máximo da última fase do cubismo com a introdução de colagens. Situo de certa forma o seu estilo cubista entre os famosos pintores Picasso e Braque, embora por caminhos um pouco diferenciados. Já aqui lhe tinha feito uma pequena referência com a publicação da sua obra «Janela Aberta», que inspirou a poesia de Matias José «Janela Aberta Para O Mar». Juan Gris faleceu em Boulogne-Sur-Seine, a 11 de Maio de 1927. Hoje, comemorando a data do seu nascimento, o espaço «Amigos d'Arte» dá a conhecer um pouco mais da vida e obra  de Juan Gris. O «Google» não se esqueceu, assinalando igualmente a data deste grande pintor espanhol.
Poet'anarquista
Juan Gris
Pintor Espanhol

«Auto-Retrato»
Juan Gris
SOBRE O PINTOR…

O seu nome de nascimento era José Victoriano Gonzáles Pérez.

Em 1906, mudou-se para Paris, onde se sentiu atraído pela estética cubista.

Em 1911, apresentou as suas primeiras obras cubistas, que, pela vontade de geometrização das formas patenteada, pela multiplicação dos pontos de vista e pela incorporação de elementos tipográficos, se distanciaram tanto do estilo de Picasso como do de Braque. Na sua paleta predominam os azuis, os verdes e os violetas.

A partir de 1912, Gris interessou-se pela técnica da colagem, que lhe permitiu criar um jogo de ambiguidades entre o que é real e o que é pintado e, desse modo, entre o verdadeiro e o falso. A este período criativo pertencem naturezas-mortas como «Copos e Jornal» (1914), «O Pequeno-Almoço» (1915), «Jarra e Copo» (1916), «A Garrafa de Vinho» (1918) e «Garrafa e Fruteira» (1919).

É evidente a sua tendência à simplificação, tanto no número de objetos representados como nos aspectos envolvidos. Na sua evolução, o artista escolheu partir cada vez mais das formas geométricas mais simples para construir os objetos que pintaria, numa procura das estruturas mais elementares, enquanto o seu cromatismo manteve uma luminosidade abstrata.

«O Livro de Música», 1922, e «A Guitarra Frente ao Mar», 1925, são dois dos últimos trabalhos que mais se destacam na obra do pintor.
Fonte: NetSaber
 «Homem no Café»
Juan Gris 

«Paisagem em Ceret»
Juan Gris  

«Retrato de Picasso»
Juan Gris  

«Mulher com Cesta»
Juan Gris  

«Janela do Pintor»
Juan Gris  

«Vida Antes de uma Janela Aberta»
(Lugar de Ravignan)
Juan Gris  

«Janela Aberta»
Juan Gris  

JANELA ABERTA PARA O MAR

Entrei… mas não sorriste
Da tua janela para o mar,
Sorrindo ao som das gaivotas
Que não paravam de voar.
Porque estavas triste...
Já de mim não gostas?
Por fim esse olhar
Tão terno quando me viste!
Afinal sempre te importas…
O que estavas a pensar??
Finalmente a alma abriste!!

Matias José
  
«CUBISMO»
JUAN GRIS

CARTOON versus QUADRAS

A Origem dos Confrontos
HenriCartoon

«A ORIGEM DOS CONFRONTOS»

Senhor representante da autoridade…
No caso de haver alguns desacatos
Quais serão os planos imediatos
P’ra quem se manifesta em Liberdade?

Já que me pergunta, senhora jornalista,
Exemplifico com técnica de persuasão:
Descarrego-lhe na cabeça o meu bastão
E está assim controlada a sua entrevista!

Percebeu, ou deseja que repita o teste?…
Manifestamente eficiente este cacete!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

A-HA - «Take On Me»

Poet'anarquista


ACEITA-ME

Estamos conversando à toa
Eu não sei o que dizer
Direi de qualquer maneira
Hoje é outro dia para te encontrar
Fugindo da timidez
Estarei vindo pelo teu amor, certo?

Aceita-me,
Aceita-me
Partirei
Em um ou dois dias

Tão desnecessário dizer
Sou insignificante
Mas estarei tropeçando
Aos poucos aprendendo que a vida é boa
Repete comigo
Não é melhor estar seguro do que arrependido?

Aceita-me,
Aceita-me
Partirei
Em um ou dois dias

Oh, as coisas que tu dizes
É a vida ou apenas para espantar minhas preocupações?
Tu és tudo o que tenho que lembrar
Tu estás a te afastar
Estarei vindo pra ti de qualquer maneira

Aceita-me
Aceita-me
Partirei
Em um ou dois dias.

A-Ha

POETAS DO CONCELHO D' ALANDROAL

XVIII DÉCIMAS

Hoje são quadras, e não décimas, pela mão do poeta popular Raul Hélder Almas Coelho. Nasceu no Alandroal em 26 de Maio de 1929, e foi de profissão trabalhador rural. Muito interessantes e actuais as quadras que hoje se publicam, como referência ao governo dessa época. Qualquer uma delas dava um bom mote para décimas, mas a última está demais: «Isto anda tudo à deriva/ Pobre da minha barriga/ Deus te dê anos de vida/ Como palmos tem uma formiga.». Raul Coelho começou tarde a fazer poesia, contava então 50 anos, e já não se encontra entre nós.
Poet'anarquista
Raul Hélder Almas Coelho 
Poeta Popular

QUADRAS

Estamos em péssimas condições
Só se ouvem gemidos e ais
O dinheiro não chega a nada
As coisas sobem cada vez mais.

Isto são golpes fatais
Uma mágoa que nos consome
Pois dentro de Portugal
Ainda existe muita fome.

E ninguém está conforme
Ainda existe muita grandeza
Há muitas que comem e bebem
E não olham a despesas.

Há muitas que se sentam à mesa
Fartam-se de reclamar
O ordenado que me dão
Não me chega p'ra começar.

Os portugueses têm razão
É um governo sem condições
Nós estamos a passar fome
Levam o dinheiro p'ra outras nações.

Farto-me de dar voltas ao sentido
Para a vida perceber
Até me zango mesmo comigo
E não a chego a entender.

Doa pá a quem doer
Fuja quem puder fugir
A vida que se atravessa
Não se pode admitir.

Lembro-me de andar a pedir
Descalço e sem ter botas
A bater a muitas portas
Para arranjar p'ra engolir.

Isto anda tudo à deriva
Pobre da minha barriga
Deus te dê anos de vida*
Como palmos tem uma formiga.

Raul Coelho
* Referência ao Governo

quinta-feira, 22 de março de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

DELFINS - «Soltem os Prisioneiros»

Poet'anarquista


SOLTEM OS PRISIONEIROS

Soltem os prisioneiros
Soltem os prisioneiros
Por todo o mundo
Há prisioneiros
Por todo o mundo

Soltem os prisioneiros do Rio de Janeiro
De Lisboa, Porto, Ofir, Aveiro
Guimarães, Faro, S. Paulo e Timor
Soltem os prisioneiros do ódio e do amor
Me solta, eu sou inocente
Arranca essa mordaça, quebra essa corrente
Essa mordaça que ninguém vê
Essa mordaça que ninguém sente...

Soltem!
Soltem!
Libertem-nos!...

Soltem os prisioneiros
Soltem os prisioneiros
Por todo o mundo
Há prisioneiros
Por todo o mundo

Eu estou sem ar, feito num peixe num aquário
Sem sair do lugar, feito um presidiário
Hã! Pelo que disseram lá no dicionário
Eu acho que me deram liberdade ao contrário
Nós somos livres pelo avesso
Mas o sangue é mais forte que o mar
Navegar é preciso, e a liberdade tem seu preço
Então me prende, pra eu me poder soltar...

Soltem!
Soltem!
Libertem-nos!...

Soltem os prisioneiros
Soltem os prisioneiros
Por todo o mundo
Há prisioneiros
Por todo o mundo

Em busca da verdade correm viajantes
Em busca da verdade ficam prisioneiros...
Em busca do amor dormem os amantes
Em busca do amor ficam prisioneiros

Delfins

quarta-feira, 21 de março de 2012

PINTURA - EDGARD LOEPERT

Edgard Loepert
Pintor Brasileiro
SOBRE O PINTOR…

Edgard Loepert , brasileiro , nasceu em São Paulo a 21 de Março de 1956. A sua paixão pela pintura remonta à sua infância, onde durante 9 anos fez o curso de artes e artesanato.

Pinta profissionalmente desde 1979, tendo como técnicas de escolha o óleo sobre tela e mais recentemente o «Bico de Pena», e como estilos preferenciais ,quando da pintura a óleo, o impressionismo e o abstrato.

Em 1998 muda-se para Israel com a família, ficando uma lacuna na sua carreira por vários anos.

Em 2005, sob o incentivo da sua nova companheira, volta à sua única e verdadeira paixão, a arte. Desde essa época participa de exposições e mostras, tendo ganho vários prémios, fazendo uso das cores , movimentos e perspetivas como parte essencial do seu trabalho.

Em 2007 recomeça a fazer desenhos em Bico-de-Pena usando tintas Nanquim ,nas cores preto e sépia em especial, e papel Canson Montval 300 g/m2 ,resgatando assim a delicadeza dessa técnica, um tanto banalizada com o advento das técnicas digitais. Esse seu reencontro com a arte, e em especial com a técnica do Bico de Pena, fez renascer das cinzas, como a lenda da PHAENIX, essa técnica tão importante que remonta à antiguidade.

Edgard Loepert  transporta  a sua arte a milénios de civilizações e lugares históricos, com um estilo muito próprio de transmitir emoções nos seus trabalhos.
Fonte: Artelista
«As Cores dos Elementos»
Edgard Loepert

«Verde Vida»
Edgard Loepert 

«Vôos na Paisagem»
Edgard Loepert 

«Pascoal»
Edgard Loepert 

«Desafiador»
Edgard Loepert 

«O Toque de Shofar»
Edgard Loepert 

«O Cabalista»
Edgard Loepert 

«Velha Jerusalém»
Edgard Loepert 

«Muros de Akko»
Edgard Loepert 

«Ruínas da Igreja Advat»
Edgard Loepert 

«Saint James Street»
Edgard Loepert 

MANIF GREVE GERAL 2012

Muitas Vozes
A Mesma Luta

MANIF GREVE GERAL 22 MARÇO 2012

MUITAS VOZES A MESMA LUTA
Poet'anarquista

DIA MUNDIAL DO TEATRO

Fórum Cultural de Alandroal
Dia Mundial do Teatro

DIA MUNDIAL DO TEATRO COMEMORADO NO FÓRUM CULTURAL

No Alandroal os alunos da «Escola Popular Túlio Espanca» preparam comemorações do Dia Mundial do Teatro.

É já no próximo dia 27 de Março que se comemora o Dia Mundial do Teatro e, para assinalar a data, os alunos do Pólo de Alandroal da Escola Popular Túlio Espanca, estão a ultimar os preparativos para a apresentação de uma peça de teatro especial, onde o público serão os idosos institucionalizados nas valências de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário existentes no concelho de Alandroal. O auditório do Fórum Cultural e Transfronteiriço de Alandroal será o palco para esta iniciativa, que vai acontecer no dia 27 de Março, pelas 15:30 horas.  

Organizada em conjunto pelas entidades executoras do programa Contratos Locais de Desenvolvimento Social, com o apoio do Município de Alandroal, a iniciativa pretende assinalar o Dia Mundial do Teatro, por um lado, e possibilitar um dia diferente aos idosos institucionalizados, por outro lado. A iniciativa é aberta à população e todos podem assistir a este espectáculo, que associa as comemorações do Dia Mundial do Teatro com preocupações sociais.

Refira-se que o Teatro nasceu em Atenas, associado ao culto de Dionísio, deus do vinho e das festividades. As representações teatrais tinham lugar em recintos ao ar livre, construídos para o efeito. Em 1961, a Unesco institui o dia 27 de Março como o Dia Mundial do Teatro, data que ainda hoje se comemora.

Venha fazer parte da História do Teatro, participando nesta iniciativa que os alunos do Pólo de Alandroal da Escola Popular Túlio Espanca prepararam para si, em colaboração com a Câmara Municipal e as entidades executoras do programa CLDS.
Fonte: cmalandroal

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Dedicado a Manuel Sánchez que me enviou o link do «Fado Anarquista», 
depois de uma leitura ao texto poético que escrevi para fado com o título «Fado Anarca»)

JOÃO BLACK - «Fado Anarquista»

Poet'anarquista
BREVE NOTA

João Black (Feijó, 28 de setembro de 1872; Lisboa, 18 de dezembro de 1955) foi um dos fadistas mais comprometidos ideologicamente com valores do anarquismo, socialismo e republicanismo.

João Salustiano Monteiro tornou-se João Black por homenagem ao seu protector, o inglês Alexander Black, patrão do pai radicado em Almada que lhe pagou os estudos. Black foi o que se poderia chamar de fadista de intervenção: as suas letras versavam sempre propósitos ideológicos da República. Andar nos jornais deu-lhe essa consciência.
Fonte: Youtube

 FADO ANARQUISTA

Ciência humanitária,
Um símbolo de altruísmo,
Tem como fim condenar
Deus, pátria e militarismo.

O mundo há-de assitir
Aos pobres livres do jugo
Espezinhar o verdugo
Da burguesia a surgir.

E depois, quando existir,
O ideal quer-lhe dar [?]
Esplendor e bem-estar;
Incitar o patriotismo,
A miséria o anarquismo
tem por base condenar.

Mas o povo sossegado
Esfacela-se sobre a tortura
Quando o seu mal tinha cura
O ideal desejado.

Viver martirizado
Nas garras do servilismo
Ai ela cai no abismo,
A fanática humanidade,
Pois fia-se nesta trindade:
Deus, pátria e militarismo.

João Black

terça-feira, 20 de março de 2012

TEATRO NO FÓRUM - «O XÔ DAS VELHAS»

 Teatro «O Xô das Velhas»
Fórum Cultural de Alandroal

24 de Março de 2012
21h30 - Fórum Cultural

Teatro “O Xô das Velhas” Em Cena No Alandroal Próximo Dia 24 de Março

O Fórum Cultual e Transfronteiriço de Alandroal recebe no próximo Sábado, dia 24 de Março, a partir das 21:30 horas, o espectáculo de teatro “O Xô Das Velhas”, peça produzida em conjunto pelas companhias de teatro “Baal 17” e “AL-MaSRAH Teatro”.

“O Xô das Velhas” é um espectáculo que se serve da ficção para falar daquilo que a realidade tem medo, enxotando a tragédia da vida real e chamando a si a comédia real da vida. Nesta peça o espectador é convidado a descobrir e a refletir sobre a forma como as “velhas” encaram a evolução do nosso mundo, em que tudo anda muito rápido para o seu passo curto.

É neste universo que um grupo de experientes actores se desdobra para contar as peripécias do dia-a-dia das “velhas”, do seu confronto com um mundo que se quer cada vez mais jovem, empreendedor e mercantil. A Câmara Municipal de Alandroal convida-o a assistir a este espectáculo, integrado na rede cultural Teias, e a passar um animado serão em família ou entre amigos.
Fonte: gabinete d’imprensa/ cmalandroal  

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

ROXY MUSIC - «End Of The Line»

Poet'anarquista


FIM DA LINHA

Acho que vou sair na chuva
Chamou-lhe uma e outra vez
Eu fiquei sem resposta
Você foi
Atingido o ponto sem retorno
Quanto mais eu vejo mais eu fico sozinho
Eu vejo o fim da linha
Alguma vez só?
Mistificado e azul?
Realizando apenas
Seu número está acima
Você está com
Fiz a minha parte vencedora
Agora é minha vez de perder
Depois de um começo justo
O jogo se passa
Eu sou completamente
Acho que vou sair na tempestade
Não há amor para manter-me quente por dentro
Espero que esteja bem no fim da linha
Agora é a hora de dar um mergulho
Experimente um passeio de tapete mágico
Tudo está errado
Você foi
Se você nunca sente falta de mim
Se eu cruzar a sua mente
Você sabe onde me encontrar
Eu estarei esperando, no final da linha

Roxy Music

segunda-feira, 19 de março de 2012

ESPECIAL MÚSICAS DO MUNDO

E  a música de hoje é...
(Escolha musical do filho com dedicatória ao pai)

CAT STEVENS - «Father And Son»

Poet'anarquista


PAI E FILHO

Não é tempo de mudar,
Apenas relaxe, vá com calma
Você ainda é jovem, esse é seu problema,
Há muita coisa que você tem que saber.
Encontre uma garota, se afirme,
Se você quiser, pode casar
Olhe pra mim, estou velho,
Mas sou feliz.

Eu já fui como você é agora,
E eu sei que não é fácil
Ficar calmo quando você
Percebeu algo acontecendo.
Mas vá com calma, pense muito (por quê?),
Pense que tudo o que você já conseguiu
Para você vai estar aqui amanhã,
Mas seus sonhos talvez não.

Como eu poderia tentar explicar,
Quando o faço ele ignora
É sempre a mesma coisa,
A mesma velha história.
No momento em que eu pude falar,
Fui obrigado a ouvir.
Agora há um caminho, e eu sei
Que eu tenho que ir embora,
Eu sei que tenho que ir.

Não é tempo de mudar,
Apenas sente-se, vá devagar,
Você continua jovem, esse é o seu problema,
Há muita coisa ainda que você tem que enfrentar.
Encontre uma garota, se afirme,
Se quiser, você pode casar,
Olhe pra mim, eu estou velho,
Mas sou feliz.

Todas as vezes que eu chorei
Mantendo todas as coisas que eu sabia dentro
E é difícil, mas é mais difícil
Ignorá-la
Se eles estivessem certos, eu concordaria
Mas são eles que sabem, não sou eu
Agora há uma maneira
E eu sei que eu tenho que ir embora
Eu sei que tenho que ir

Cat Stevens

PRÉMIO VIDA LITERÁRIA 2012

O prémio «Vida Literária 2012» foi hoje atribuído a João Rui de Sousa, nascido em Lisboa a 12 de Outubro de 1928. O poeta, ensaísta e crítico literário teve a unanimidade da Associação Portuguesa de Escritores que o distinguiu  com este importante prémio bienal. Recordo que já foram distinguidos com o mesmo prémio José Saramago, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Vitor Aguiar e Silva, entre outros autores. As minhas sinceras felicitações ao poeta João Rui de Sousa. Muitos Parabéns!
Poet'anarquista
João Rui de Sousa
Poeta Português
«PRÉMIO VIDA LITERÁRIA 2012»

O prémio de consagração, no valor de 25 mil euros, tem sido atribuído de dois em dois anos, a escritores de ficção, poesia e ensaio. Distinguiu, entre outros, José Saramago, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny e Vítor Aguiar e Silva. 

João Rui de Sousa ficou "muito satisfeito e contente" por lhe terem atribuído este prémio e disse ao PÚBLICO que pensa que esta distinção vai alegrar também aqueles que sempre o incentivaram. "Este prémio também é para eles", afirmou.

O seu mais recente livro de poesia, “Quarteto Para as Próximas Chuvas", foi publicado em 2008 e João Rui de Sousa espera que não seja o último. "Assim pronto não tenho nenhum livro embora seja possível organizá-lo com alguma brevidade: tenho para aqui umas coisas inorgânicas", afirmou ao PÚBLICO. "Era uma boa oportunidade", concluiu.

Nascido em 1928, em Lisboa, João Rui de Sousa é poeta, ensaísta, crítico literário e investigador (integrou a equipa do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea de 1982 a 1993). No ano passado, doou o seu espólio literário à Biblioteca Nacional de Portugal. O seu acervo é constituído por cartas de/a António Ramos Rosa, Eugénio Lisboa, João Bigotte Chorão, João Palma-Ferreira, Jorge de Sena, José Carlos Gonzalez, Luís Amaro, Luiz Pacheco, Natália Correia, Pedro da Silveira, e ainda correspondência com Egito Gonçalves, Eugénio de Andrade, Fernando Guimarães, Herberto Hélder, Liberto Cruz, Maria Alzira Seixo ou Matilde Rosa Araújo.

Formado em Agronomia e licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, João Rui de Sousa estreou-se na revista “Cassiopeia” (1955), de que foi um dos fundadores, com António Ramos Rosa, José Terra, José Bento e António Carlos. Foi aí que publicou os poemas “A Morte da Paisagem” e “Poema Contíguo ao Ódio” e o ensaio “A Angústia e o Nosso Tempo”. 

Das suas obras de poesia fazem parte “Circulação” (1960), “A Hipérbole na Cidade” (1960), “A Habitação dos Dias” (1962), “Meditação em Samos” (1970), “Corpo Terrestre” (1972) e, em 1983, reuniu os poemas publicados com inéditos em “O Fogo Repartido”. Na década seguinte editou “Enquanto a Noite, a Folhagem” (1991), “Palavra Azul e Quando” (1991), “Sonetos de Cogitação e Êxtase” (1994), “Obstinação do Corpo” (1996) e “Respirar pela Água” (1998). 

Mais recentemente deu à estampa “Os Percursos, as Estações” (2000), “Obra Poética: 1960-2000” (2002), “Lavra e Pousio” (2005) e “Quarteto Para as Próximas Chuvas” (2008), que foi distinguido com o Prémio Nacional António Ramos Rosa e o Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes.

No ensaio, João Rui de Sousa publicou “Fernando Pessoa Empregado de Escritório” (1985; 2º ed. revista e aumentada, 2010), “Este Rio de Quatro Afluentes” (1988), “António Ramos Rosa ou o Diálogo com o Universo” (1988). 

João Rui de Sousa é ainda editor literário da antologia de poemas de Adolfo Casais Monteiro (1973) e das “Poesias Completas” do mesmo autor (1993).
Fonte: Jornal O Público


DEPOIS DE AMANHÃ A PRIMAVERA!

A dadivosa mãe que em tudo existe
Para além do só remédio só palavra
Um cobertor de esperanças para o medo
Três girassóis lindíssimos desdobráveis

A boca na boca e as lágrimas
Mais azuis de brinquedos e de imensos
Lençóis de inventar os dias límpidos
A dadivosa mãe as tardes quentes

Florescer a noite de agasalhos
De corações em pé no destemor
Alimentar as órbitas fraternas
De iluminar raízes dança pura

Ó música sem tédio dos cabelos
Do teu olhar do cheiro dos reflexos
Desta razão solar! Em caule e rama
- Ó dadivosa mãe – tudo desperta!

João Rui de Sousa

POEMA CONTÍGUO AO ÓDIO

Que gelado sopro nos agita
Do lado de dentro das ruas?

Que rápida vertigem nos domina
Nesta agudíssima manhã?

Este vento que nos queima estas veias mais quentes
Estes longos minutos que sacodem o rosto
Estes ponteiros gigantes que nos marcam os séculos
Estes rios de sal que abrem sulcos nos ossos

Esta raiva que nos corta estas lâminas nos lábios
Estes vidros de silêncio que nos enchem a boca
Estes deuses que sorriem estas lágrimas mais puras
Estes grandes traços negros de trânsito impedido 

João Rui de Sousa

ROTEIRO

Meu jeito visionário — meu astrolábio.
Meu ser mirabolante — um alcatruz.
De variadas coisas fiz a minha esperança
E sempre em várias coisas vi a minha cruz.

Aos padrões que em vários pontos encontrei
Na rota íntima de vestes tropicais
Eu dei as mãos, serenas e intactas,
As minhas dores mais certas e reais.

Nos vários sítios que — abismos —
Toldaram minha voz por um olhar,
Eu evitei o perigo e os prejuízos
À voz feita de calma, meu cantar.

Aos rasgos que, de outrora, evocados
Foram sempre pelo seu valor,
Eu dei a minha tez de dúvida e de espanto,
O meu silêncio amargo, o meu calor,

E aos pontos cardeais que em volta, vacilantes,
Desalentavam já meu ser cativo,
Parei o gesto, roubei o pólo sul da esperança
Como lembrança para um dia altivo.

João Rui de Sousa