sexta-feira, 19 de outubro de 2012

POESIA - MANUEL PINA

Faleceu hoje no Porto, 19 de Outubro de 2012, o poeta e jornalista português Manuel António Pina. Natural do Sabugal onde nasceu a 18 de Novembro de 1943, foi galardoado com o «Prémio Camões» em 2011. A sua obra incidiu particularmente na poesia e na literatura para os mais pequenos, tendo também escrito diversas peças de teatro, ficção e crónicas. Foi jornalista do Jornal de Notícias durante trinta anos, e ultimamente escrevia crónicas no Jornal de Notícias e no Notícias Magazine. A sua obra encontra-se traduzida em França, Estados Unidos, Espanha, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária. A literatura portuguesa e o jornalismo português está hoje de luto no espaço «Amigos d'Arte». O meu pesar para todos os familiares e amigos do poeta Manuel António Pina. Paz à sua alma!
Poet'anarquista
Manuel António Pina
Poeta e Jornalista Português
SOBRE O ESCRITOR…

Poeta português, natural do Sabugal (Beira Alta). Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi, desde 1971, jornalista do Jornal de Notícias, e actualmente exercia as funções de editor. 

Na literatura infantil reúne as seguintes obras: «O País das Pessoas de Pernas para o Ar» (1973), «O Têpluquê» (1976), «Os Dois Ladrões» (1983), «O Pássaro da Cabeça» (1983), «Os Dois Ladrões» (1983), «Histórias com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas» (1984), «O Inventão» (Prémio Gulbenkian: Melhor Livro Publicado em Portugal em 1986/1987), «O Tesouro» (1993), «O Meu Rio é de Ouro» (1995), «Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança» (2000), entre outras. 

Publicou também os volumes de poesia «Ainda Não é o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas um Pouco Tarde», «Aquele que Quer Morrer» (1978, Prémio Casa da Imprensa), «A Lâmpada do Quarto? A Criança?» (1981),« Nenhum Sítio» (1984), «O Caminho de Casa» (1988), «Um Sítio Onde Pousar a Cabeça» (1991), «Algo Parecido com Isto da Mesma Substância» (Poesia reunida, 1974/1992) (1992), «Farewell happy fields» (1993), «Cuidados Intensivos» (1994), «O Anacronista» (1994, Prémio Nacional de Crónica Press Club/Clube de Jornalistas), «Aniki-Bobó» (1997). 

Está traduzido em castelhano, dinamarquês, francês, galego e inglês
Fonte: Astormentas

A UM HOMEM DO PASSADO

Estes são os tempos futuros que temia
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras? 

Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos. 

Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos. 

Manuel Pina

ALGUMAS COISAS

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

Manuel Pina

O MEDO

Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente
quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?

Manuel Pina

1 comentário:

Rogério Pereira disse...

...é que a morte, de esquecida, deixa o mal e leva o bem...