quarta-feira, 30 de novembro de 2011

LITERATURA - MARK TWAIN

O escritor e humorista norte-americano Samuel Langhorne Clemens, de pseudónimo Mark Twain, nasceu na Florida, Missouri, a 30 de Novembro de 1835. Os seus romances de maior sucesso foram «As Aventuras de Tom Sawyer» e « As Aventuras de Huckleberry Finn», este último referido muitas vezes como um dos melhores romances americanos de todos os tempos. Mark Twain faleceu em Redding, Connecticut, a 21 de Abril de 1910.
Poet'anarquista
Mark Twain
Escritor Norte-Americano
BIOGRAFIA

Mark Twain, pseudónimo de Samuel Langhorne Clemens, primeiro grande escritor do oeste dos Estados Unidos que exerceu grande influência sobre todos os escritores que se esforçaram por «Descobrir a América» através das suas paisagens, das peculiaridades do seu povo e do seu folclore.

Mark Twain passou a infância às margens do rio Mississipi. Perdeu o pai aos 12 anos quando começou a trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Foi entregador, escriturário e ajudante. Aos 13 anos tornou-se aprendiz de tipografia, e depois, trabalhando como impressor, viajou por diversos estados. Aprendeu navegação no rio Mississipi tornando-se piloto fluvial. Nessa época começou a escrever textos de humor e adoptou o pseudónimo de Mark Twain, termo usado pelos barqueiros, que significa «duas marcas» na verificação da profundidade dos rios.

Depois participou da Guerra Civil, como confederado. Após o conflito, foi para o Oeste (Nevada) onde viveu com o seu irmão. Passou a escrever para o jornal da cidade de Virginia. Foi jornalista e conquistou o público com o conto «A Célebre Rã Saltadora do Condado de Calaveras», publicado em 1865. Dois anos depois, Twain visitou a França, a Itália e a Palestina, recolhendo material para o seu livro «The Innocents Abroad» (1869), que estabeleceu a sua reputação de humorista. Twain casou-se com Olívia Langdon em 1870 e fixou-se em Hartford, Connecticut.
«As Aventuras de Tom Sawyer»
Mark Twain

Dois anos mais tarde publicou «Roughing It», e em 1873 «The Gilded Age». Em 1876 saiu a primeira das suas grandes obras, «As aventuras de Tom Sawyer», romance baseado nas experiências da adolescência do autor no rio Mississipi. No livro seguinte, «A Tramp Abroad» (1880) o autor visitou a Europa, regressando com «Vida no Mississipi»(1883). A obra-prima da carreira literária de Twain, «As aventuras de Huckleberry Finn», foi publicada em 1884.

«As Aventuras de Huckleberry Finn»
Mark Twain

O livro, que parecia só uma obra para jovens, constituía na realidade uma fábula da América que se urbanizava e industrializava enfrentando o sonho de uma vida na liberdade da natureza. «Huck» representava muitas das aspirações da sociedade americana, com as quais o público facilmente se identificou. O romance estabeleceu definitivamente Twain como um dos grandes humoristas da literatura mundial. Outras obras do autor: «O Príncipe e o Mendigo», «Um Ianque na Corte do Rei Artur» (1889), «A Tragédia de Pudd'nhead Wilson»(1894) e «Joana D`Arc» (1896).

A década de 1890 foi marcada por dificuldades financeiras e nos últimos anos a caricatura burlesca deu lugar a um pessimismo satírico. A dimensão irónica do mundo, e em particular do sonho americano, revelaram um retrato americano em toda a sua materialidade.
Fonte: UOLEducação

FERNANDO PESSOA

Faz hoje 76 anos da morte de Fernando António Nogueira Pessoa, estávamos então a 30 de Novembro de 1935. Um dos expoentes máximos da poesia portuguesa, Fernando Pessoa foi considerado por muitos como o «Poeta Criativo». Pode ler-se sobre a vida e obra deste autor português na publicação de 30 de Novembro de 2010 «FERNANDO PESSOA», ou na publicação de 13 de Junho de 2011 «POESIA - FERNANDO PESSOA (II)». Aqui se recorda mais uma vez este grande poeta, muito a propósito no dia de hoje, com o poema «A Morte Chega Cedo».
Poet'anarquista
Fernando Pessoa
Poeta Português

A MORTE CHEGA CEDO

A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

 Fernando Pessoa 

CARTOON versus QUADRAS

O Alimento da Alma
HenriCartoon

«O ALIMENTO DA ALMA»

Uma boa notícia… (é bom demais)
Não teremos taxa máxima no IVA
Aplicada às actividades culturais,
E assim toda a malta se cultiva!  

A crise é uma maravilha...
Mas que rica encruzilhada,
Sem emprego, e sem casa...
Fui caçado na armadilha!

Fiquei sem o velho Ferrari
E  as poupanças… como pode??
Encho a barriga de Shakespeare
Acompanhado com um Tchekhov!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

Nos próximos dias «Músicas do Mundo» presta homenagem a...
Fado Português - Património Imaterial da Humanidade


E a música de hoje é...

ROSA NEGRA - «Fado Latino»

Poet'anarquista


FADO LATINO

Sopra uma brisa quente que me leva
ao Oriente que há em mim
como um tapete que me lança e leva
e que me tira os pés do chão.
Memórias do meu coração...

Será miragem este meu caminho?
Será que um dia vai ter fim?
Será que o vento esconde o meu destino?
Detrás da sombra, solidão?
Fado latino, coração...

Há uma rosa negra à minha espera
entre as delícias do jardim
e num Oásis de esperança eterna
um sentimento de jasmim.
Memórias do meu coração...

Rosa Negra

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PINTURA - CARLO LEVI

O pintor, escritor e político italiano Carlo Levi, nasceu em Turim, a 29 de Novembro de 1902. Doutorou-se em medicina mas nunca exerceu a profissão, dedicando-se exclusivamente à pintura e literatura. Activista e anti-fascista,  foi um político independente pelos comunistas ao senado italiano, entre 1963 e 1972. Carlo Levi  faleceu em Roma, a 5 de Janeiro de 1975.
Poet'anarquista
Carlo Levi
Pintor Italiano

«Auto-Retrato»
Carlo Levi
BREVE BIOGRAFIA

O escritor e pintor italiano Carlo Levi (1902-1975), conhecido como um líder anti-fascista durante a ditadura de Mussolini, teve um enorme sucesso internacional com seu sensacional livro «Cristo parou em Eboli» em 1945.

Carlo Levi nasceu em 29 de Novembro de 1902, em Turim, Itália. Embora  tenha recebido uma licenciatura em medicina da Universidade de Turim,  nunca chegou a exercer medicina. Em vez disso seguiu a pintura e outras actividades literárias. 

Ao longo da sua vida, Levi foi uma figura proeminente na cena artística romana.

Muitas das pinturas de Levi concentram-se na figura humana, o que demonstra a sua crença no homem como centro do universo: 

«-Qualquer arte que não se dirige ao homem como um todo, está destinada ao fracasso!»

Carlo Levi  faleceu em Roma, a 05 de Janeiro de 1975.
Fonte: www.answers.com
«Figura»
Carlo Levi

«A Revolução na Lucania»
Carlo Levi

«Duas Nuas»
Carlo Levi

«Amantes»
Carlo Levi

«Mulheres Mortas»
Carlo Levi

«Retrato de Humberto Saba»
Carlo Levi

«Capitão e as Raposas»
Carlo Levi

«Amante»
Carlo Levi

«Redimensão»
Carlo Levi

«PINTURA CONTEMPORÂNEA»
CARLO LEVI

MÚSICAS DO MUNDO

E a musica de hoje é...

DULCE PONTES - «O Amor a Portugal»
Poet'anarquista

O AMOR A PORTUGAL

O dia há de nascer
Rasgar a escuridão
Fazer o sonho amanhecer
Ao som da canção
E então:
O amor há de vencer
A alma libertar
Mil fogos ardem sem se ver
Na luz do nosso olhar
Na luz do nosso olhar
Um dia há de se ouvir
O cântico final
Porque afinal falta cumprir
O amor a Portugal
O amor a Portugal!


 Dulce Pontes

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PINTURA - SIDNEY NOLAN

O pintor australiano Sidney Robert Nolan nasceu em Melbourne, a 22 de Abril de 1917. Ficou conhecido por desenvolver uma nova linha iconográfica com inspiração na história e nas velhas tradições de Natal da Austrália. Tinha um particular interesse nas paisagens desérticas do seu país, assim como pelos contos e histórias românticas. Foi igualmente um cenógrafo teatral de grande sucesso no Royal Opera House de Londres. Sidney Nolan faleceu a 28 de Novembro de 1992, em Londres.
Poet'anarquista
Sidney Nolan
Pintor Australiano
BREVE BIOGRAFIA

Nasceu em 22 de abril de 1917 em Melbourne (Austrália), cidade onde estudou arte em meados da década de 1930. 

Através de reproduções das suas obras, entrou em contacto com alguns artistas avant-garde, principalmente dadaístas e surrealistas. Conheceu John Reed, líder de um grupo inovador de artistas de Melbourne, com quem fundou em 1938, a Sociedade de Arte Contemporânea. 

Em 1940 teve sua primeira exposição individual em Melbourne e, em 1951 expôs pela primeira vez fora do seu país, em Londres.

Após uma fase inicial de formas totalmente abstractas, desenvolveu um estilo figurativo que representa a paisagem do deserto australiano, como em «Carron Plains» (1948, Museu de Arte de New South Wales, Sydney), bem como contos e histórias de uma natureza romântica . 

Mais tarde, pintou paisagens chinesas, usando uma variedade de técnicas. Além de numerosas gravuras e desenhos, foi cenógrafo teatral de grande sucesso, especialmente para a Royal Opera House, em Londres. 

Sidney Nolan morreu em 28 de novembro de 1992 em Londres.
Fonte: Buscabiografias
«Antílope»
Sidney Nolan

«A Tentação de Santo António»
Sidney Nolan

«Ern Malley»
Sidney Nolan 

«Sem Título (?)»
Sidney Nolan 

«Flores Silvestres»
Sidney Nolan 

«Distrito do Interior Australiano»
Sidney Nolan 

 «Paisagem com Ned Kelly»
Sidney Nolan 

«Paisagem - Mineiro de Capacete Vermelho»
Sidney Nolan 

«MODERNISMO»
SIDNEY NOLAN

MÚSICAS DO MUNDO

 Especial «Músicas do Mundo» presta homenagem a...
Fado Português, Património Imaterial da Humanidade!

AMÁLIA RODRIGUES - «Fado Português»

Poet'anarquista


FADO PORTUGUÊS

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


Amália Rodrigues

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Escolha musical da blogosfera)

NAT KING COLE - «Ansiedad»

Poet'anarquista


ANSIEDADE

Ansiedade
De ter você nos meus braços
Musicando palavras de amor…

Ansiedade
De ter seus encantos
E na boca voltar a te beijar!

Talvez meu pensamento esteja chorando…
Minhas lágrimas são pérolas que caem no mar
E o eco adormecido deste lamento.

Faz com que estejas presente no meu sonho…
Talvez estejas chorando ao lembrar de mim
E apertes meu retrato com frenesim,

Até que ao teu ouvido chegue a melodia selvagem
Do eco da tristeza de estar sem você!


Nat King Cole

domingo, 27 de novembro de 2011

POESIA - MATIAS JOSÉ

«Jardim Xeni»
Guatemala/ Pintura Maya

JARDIM DO SEGREDO

Acordei com gélida sensação de frio
Tinha eu morrido quando era sol posto…
De pronto erguido, sentimento vazio,
Pensei:  será que no sono havia morto?

Um estranho silêncio na minha mente
Percorreu pela manhã o pensamento,
E sentindo-me num sonho inquietante
Acabei desperto nesse preciso momento.

A alma, por vontade própria, de mim fugia,
E sem entender porque me abandonaria…
Em grande aflição sentia o próprio medo.

Foi quando o sol nasceu, era um outro dia,
No velho jardim da casa a alma então sorria
Desvendando por fim esse terrível segredo!

Matias José

PINTURA - TSUGUHARU FOUJITA

Léonard Tsuguharu Foujita nasceu em Tóquio, no Japão, a 27 de Novembro de 1886. Pintor japonês modernista, aplicou técnicas de tinta japonesa em pinturas de estilo ocidental. Em 1959 adquiriu nacionalidade francesa e converteu-se ao catolicismo. Conheceu e foi amigo de pintores como Juan de Gris, Pablo Picasso e Henri Matisse. Foujito faleceu em Zurique, na Suíça, a 29 de Janeiro de 1968.
Poet'anarquista
Tsuguharu  Foujita
Retrato de Ismael Nery

«Auto-Retrato com Gato»
Foujita
BIOGRAFIA

(Tóquio, 1886 - Zurique, 1968)- pintor japonês também conhecido no mundo da arte como Tsuguji Fujita. Foi um dos membros de uma família de altos samurais. Estudou pintura na Escola Imperial de Belas Artes em Tóquio, onde se graduou em 1910. Em 1911 alcançou grande sucesso com o livro «O Imperador da Coreia». Em 1913 mudou-se para Paris. Durante a sua estadia em Paris estabeleceu relações estreitas com grandes pintores europeus de arte moderna, entre os quais Picasso, Matisse e Modigliani. Tornou-se membro anual em 1919 do «Salon d'Automne», e membro permanente do mesmo no ano seguinte.

Regressou ao Japão em 1929, onde a sua apresentação foi recebida com grande sucesso por parte da crítica. Permaneceu um ano mais no Japão e em 1930 estabeleceu-se em Paris. Em 1931 viajou pela América do Sul, América Central, América do Norte e Japão, tendo regressado a França em 1933. Durante a sua breve estadia no Japão pintou vários murais, incluindo o Evento Anual de Akita Festival Santuário, no Monte Taihei Miyosi.

Na sua pintura realizou com  peculiaridade oriental vários temas ocidentais, aplicando as técnicas de óleo francês para estilos de pintura japonesa, encontrando assim uma maneira de sintetizar estas duas tradições numa única técnica pictórica. Os seus trabalhos foram realizados preferencialmente em aguarela e técnicas de pintura a óleo que dominava com grande habilidade. Entre os temas favoritos destacou a natureza, animais de estimação, o nu feminino e retratos, sempre com a singularidade que reflectiam a formação em desenho e uso de cores.  As suas cenas eram francesas, os seus modelos europeus e as suas linhas japonesas.

Aprovada a pintura oriental nos seus desenhos e pinturas de gráficos precisos e delicados em material pictórico, onde por vezes assumiu as qualidades do uso da laca. Alguns críticos incluem a sua obra no maneirismo. O seus melhores trabalhos, conhecidos pela sua base macia preta e um fundo branco de suave reminiscência em porcelana, foram «Auto-Retrato com um Gato»,  «O Gato», «Mulher», «Nu na Praia», «Brown», «Notre Dame», «The Hall of Montparnasse» , «O meu Estudo» e «Carnavalet».
Fonte: Biografias&Vidas
«Nu na Praia»
Foujita

«Os Dois Gatos»
Foujita

«A Virgem e o Menino»
Foujita

«A Doca Flor - Notre Dame»
Foujita

«A Amizade»
Foujita

«Retrato de Jeanne Hebuterne»
Foujita

«A Menina com Tigela»
Foujita

«MODERNISMO»
TSUGUHARU FOUJITA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

BARCLAY JAMES HARVEST - «Ball And Chain»

Poet'anarquista


BOLA E CORRENTE

Se eu tivesse meu caminho eu não estaria aqui
Nem por um dia, minha saída é clara.
Eu tive a minha parte de angústia e dor
Para a felicidade que eu estou procurando em vão,
Eu tenho que me livrar da minha bola e corrente.
Por toda a minha vida, as vezes que fui ruim,
E falta de sorte e contendas, que é tudo que eu já tive.
Eu tive a minha parte de angústia e dor
Para a felicidade que eu estou procurando em vão,
Eu tenho que me livrar da minha bola e corrente.
Eu só tenho de ser livre…
Deus no céu, me ajude!
Se eu tivesse meu caminho eu não iria, não estaria aqui,
Não, nem por um dia, minha saída, minha saída é clara.
Eu tive a minha parte de angústia e dor
Para a felicidade que eu estou procurando em vão,
Eu tenho que me livrar da minha bola e corrente…
Me ajude!
Eu tive a minha parte de angústia e dor
Para a felicidade que eu estou procurando em vão…
Eu tenho que me livrar da minha bola e corrente!

Barclay James Harvest

sábado, 26 de novembro de 2011

POESIA - GREGÓRIO DE MATOS

Gregório de Matos Guerra, mais conhecido por «Boca do Inferno» ou «Boca de Brasa», alcunha que ganhou devido a um período de escrita da sua obra poética erótica-obscena, nasceu em Salvador no Brasil, a 23 de Dezembro de 1636. Grande poeta brasileiro, considerado por muitos como o maior do barroco e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa da sua época, faleceu a 26 de Novembro de 1695 no Recife.
Poet'anarquista
Gregório de Matos
Poeta Brasileiro
BIOGRAFIA

Gregório de Matos Guerra era o terceiro filho de um fidalgo português, estabelecido no Recôncavo baiano como senhor de engenho, e de uma brasileira. Ao contrário dos irmãos mais velhos que não se adequaram aos estudos e dedicaram a ajudar o pai na fazenda, Gregório recebeu instrução na infância e adolescência e foi enviado para a Universidade de Coimbra, onde se bacharelou em direito.

Teria sido juiz do Cível, de Crime e de Órfãos em Lisboa durante muitos anos. Na Corte portuguesa, envolveu-se na vida literária que deixava o maneirismo camoniano e atingia o barroco, seguindo as influências espanholas de Gôngora e Quevedo. Por essa ocasião, teria também casado e tido acesso ao rei Pedro II, de quem ganhou simpatia e favores.

A sátira política tornou-se uma das vertentes mais conhecidas da sua obra poética.

A sua sorte, porém, mudou bruscamente. Enviuvou e caiu em desgraça com o rei, segundo alguns biógrafos, por intriga de alguém ridicularizado num dos seus poemas satíricos. Acabou regressando à Bahia em 1681, a princípio trabalhando para o Arcebispo, como tesoureiro-mor, mas logo desligado das suas funções.

Casou-se, então, com Maria dos Povos, a quem dedicou um dos seus sonetos mais famosos. Vendeu as terras que recebera de herança e, segundo consta, guardou o dinheiro num saco no canto da casa, gastando-o à vontade e sem fazer economia. Ao mesmo tempo, tratou de exercer a advocacia, escrevendo argumentações judiciais em versos.

A certa altura, resolveu abandonar tudo e saiu pelo Recôncavo como cantador itinerante, convivendo com o povo, frequentando as festas populares, banqueteando-se sempre que convidado. É nessa época que se avoluma a sua obra satírica (inclusive erótico-obscena) que iria valer-lhe o apelido de «Boca do Inferno». Mas foi a crítica política à corrupção e o arremedo aos fidalgos locais que resultaram na sua deportação para Angola.

De lá só regressou em 1695, com a condição de se estabelecer em Pernambuco e não na Bahia, além de evitar as sátiras. Segundo os estudiosos, nesses momentos finais de vida, tornou-se mais devoto e deu vazão à poesia religiosa, em que pede perdão a Deus pelos seus pecados. 

Vale a pena lembrar que a fama de Gregório de Matos - um dos grandes poetas barrocos não só do Brasil, mas da língua portuguesa - é devida a uma obra efectivamente sólida, em que o autor soube manejar os cânones da época, seja de modo erudito em poemas líricos de cunho filosófico e religioso, seja na obra satírica de cunho popularesco. O virtuosismo estilístico de Gregório de Matos não encontra um rival à altura na poesia portuguesa do mesmo período.
Fonte: UOLEducação

«Obra Poética»
Gregório de Matos Guerra

DEFINE A SUA CIDADE

De dous ff se compõe
esta cidade a meu ver:
um furtar, outro foder. 

Recopilou-se o direito,
e quem o recopilou
com dous ff o explicou
por estar feito, e bem feito:
por bem digesto, e colheito
só com dous ff o expõe,
e assim quem os olhos põe
no trato, que aqui se encerra,
há de dizer que esta terra
de dous ff se compõe.

Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia,
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta
e quero um tostão perder,
que isso a há de perverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
esta cidade a meu ver.

Provo a conjetura já,
prontamente como um brinco:
Bahia tem letras cinco
que são B-A-H-I-A:
logo ninguém me dirá
que dous ff chega a ter,
pois nenhum contém sequer,
salvo se em boa verdade
são os ff da cidade
um furtar, outro foder.

Gregório de Matos

DESCREVE O QUE ERA NAQUELE TEMPO A CIDADE DA BAHIA

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

Gregório de Matos

A DESPEDIDA DO MAU GOVERNO QUE FEZ O GOVERNADOR DA BAHIA.

Senhor Antão de Sousa de Menezes,
Quem sobe ao alto lugar, que não merece,
Homem sobe, asno vai, burro parece,
Que o subir é desgraça muitas vezes.

A fortunilha, autora de entremezes
Transpõe em burro o herói que indigno cresce:
Desanda a roda, e logo homem parece,
Que é discreta a fortuna em seus reveses.

Homem sei eu que foi vossenhoria,
Quando o pisava da fortuna a roda,
Burro foi ao subir tão alto clima.

Pois, alto! Vá descendo onde jazia,
Verá quanto melhor se lhe acomoda
Ser homem embaixo do que burro em cima.

Gregório de Matos

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

GIPSY KING - «Moorea»

Poet'anarquista

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

POETAS DO CONCELHO D' ALANDROAL

A rubrica «Poetas do Concelho d' Alandroal» começa hoje a sua publicação neste espaço, proporcionando a leitura das décimas populares a todos os Amigos d'Arte que visitem o Poet'anarquista. Do livro de poesia «Cantadores de Alegrias, Mágoas e Mangações», editado pela Câmara Municipal de Alandroal em 1993, constam 38 poetas populares que agora vão ter os seus poemas publicados semanalmente, de forma aleatória e com uma breve nota introdutória dos mesmos. Para quem está menos familiarizado com este género de poesia, publica-se nesta 1ª edição uma nota explicativa das décimas populares a cargo do ilustre professor José Rabaça Gaspar. Boas leituras e bem-hajam os poetas do nosso concelho!
Poet'anarquista

TEMA: AS DÉCIMAS POPULARES? A MAGIA DA POESIA POPULAR? 
UMA LIGAÇÃO MEDIÁTICA COM OUTROS MUNDOS?

Uma ARTE MAIOR praticada por POETAS populares (sobretudo ao Sul de Portugal) a pedir um estudo sério e profundo a nível superior. É praticamente ignorada e/ou tida em menos conta em todos os níveis do ensino em Portugal, o que é de lamentar.

Entretanto, podemos considerar a DÉCIMA um pequeno prodígio de ARQUITECTURA FORMAL (da Métrica, ao Ritmo, à Rima, desde a Quadra Mote, à Glosa em quatro décimas espelhadas e de retorno a cada um dos quatro versos), como base e fundamento de uma ARTE SIMBÓLICA plurissignificativa.

A mera exigência FORMAL (a que raros eruditos se atrevem) é PRATICADA COMO EXERCÍCIO LÚDICO POR POETAS DO SUL, a maioria considerados analfabetos, por vezes em despiques ou descantes fortuitos em tabernas ou convívios sociais, pondo-a ao serviço de temas que vão desde a pura diversão, aos temas do quotidiano, à história, à crítica social ou política, até aos temas filosóficos da mais profunda sabedoria. (Beja, Abril,1996.)

Dizer uma Décima (os poetas que as dizem são conhecidos como «dezedores», entoá-la ou cantá-la, é uma arte, tanto para aquele que a diz, como para aquele que a ouve ou lê. Como arte, é algo que requer, muito de intuição e inspiração, aprendizagem e exercício.

Finalmente arriscamos afirmar que é uma Arte Superior, ou pode ser em princípio, só acessível aos que têm o dom de contactar ou ter acesso a formas de comunicação pouco comuns..., talvez uma certa magia..., algo só acessível aos deuses ou aos que podem comungar com a divindade!!! Será uma afirmação exagerada? Pouco ortodoxa? Que sai fora dos instrumentos de estudo e análise usuais? Mas quem sabe definir o que é a inspiração? O que são as «Tágides» ou as «Ninfas do Mondego» de Camões, as «musas» e os «dons» de que falam os poetas? Onde estão os donos e os mestres da Língua? E os da Poesia? É proibido inovar, ou não se deve falar daquilo que se não conhece? Arriscamos, enfim, a considerar as DÉCIMAS POPULARES como um PRODÍGIO DE ARQUITECTURA POÉTICA a exigir um prodigioso exercício de ginástica mental, praticado muitas vezes por poetas considerados analfabetos!
Texto - Professor José Rabaça Gaspar

I DÉCIMAS 

Décimas populares pelo poeta António José Ramalho Veladas, mais conhecido por Manguito, natural da aldeia de Hortinhas, freguesia de S. Pedro de Terena do concelho de Alandroal. Nascido no ano de 1951, foi de profissão «ganadeiro» e actualmente é funcionário da Câmara Municipal de Alandroal. Faz poesia desde os seus 35 anos.
Poet'anarquista
Manguito
Poeta Popular 

MOTE

Autênticas maravilhas
Existem no Alandroal
Suas Aldeias e vilas
Suas gentes sem igual

Glosas

É um concelho sozinho
Meus amigos podem crer
Tem todo o gosto em fazer
O bem para o seu vizinho.
Está metido num cantinho
Com respeito às outras ilhas
Tanto as mãe como as filhas
Pedem o bem para este povo
Desde o mais velho ao mais novo
Autênticas maravilhas.

É uma população
P'ra lhe falar a verdade
Fazer tudo com sinceridade
É a sua tradição.
Prestam-lhe sempre atenção
E nada levam a mal
É a razão principal
Que se vê no dia a dia,
Obras de grande valia
Existem no Alandroal.

Há quem sabe dar valor
A um concelho tão pobre
Até o rico e o nobre
Trabalham com o mesmo amor.
Há poetas e doutores
Que formados faziam fila
Ideias boas é segui-las
Isto no meu pensamento,
É para nós um momento
Suas aldeias e vilas.

Tu tens um lindo castelo
Tens a igreja matriz
Tens uma fonte e o chafariz
Que é de todos o mais belo.
Tens por tradição o amarelo
Que é uma cor natural
És dentro de Portugal
Aquele em que mais acredito,
Tens de tudo o que é bonito
Suas gentes sem igual.

Manguito

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

RICHIE HAVENS - «Freedom» (Woodstock \'69)

Poet'anarquista


LIBERDADE

Liberdade Liberdade Liberdade Liberdade
Liberdade Liberdade Liberdade Liberdade

As vezes eu me sinto, como uma criança sem mãe
As vezes eu me sinto, como uma criança sem mãe
As vezes eu me sinto, como uma criança sem mãe
Um longo caminho para chegar a casa

Liberdade Liberdade Liberdade Liberdade
Liberdade Liberdade Liberdade Liberdade

As vezes eu sinto, que estou quase no fim
As vezes eu sinto, que estou quase no fim
As vezes eu sinto, que estou quase no fim
Um longo, longo, longo, caminho, caminho para chegar casa

Batam Palmas Batam Palmas Batam Palmas Batam Palmas
Batam Palmas Batam Palmas Batam Palmas Batam Palmas

Hey... yeah

Eu tenho um telefone no meu peito
E eu posso chamá-lo de cima do meu coração
Eu tenho um telefone no meu peito
E eu posso chamá-lo de cima do meu coração

Quando eu preciso do meu irmão... Irmão
Quando eu preciso da minha mãe... Mãe

Hey...yeah

Richie Havens

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

«MI RÉ MIRÓ» NO FÓRUM CULTURAL

Espectáculo/Concerto - «Mi Ré Miró»
Fórum Cultural de Alandroal

Espectáculo Sobre a Obra de Juan Miró Visita Alandroal no Dia 26 de Novembro

O Fórum Cultural e Transfronteiriço de Alandroal recebe, no próximo dia 26 de Novembro, a partir das 22:00 horas, o espectáculo/concerto Mi Ré MIRÓ, que retrata a vida e obra de Joan Miró, pintor espanhol nascido em 1893 e adepto do movimento surrealista.   

Mi Ré MIRÓ é um espectáculo produzida pela companhia Alouette Projects, dirigido e encenado por Sylvain Peker, que associa sons e imagens intuitivos, relacionando as formas observadas nas obras do pintor espanhol. A acção cénica, em harmonia com a música, ajuda o espectador a apreender a linguagem musical de uma forma completamente natural. Além disso, o espectáculo tem como traço característico a possibilidade que oferece de descobrir, ou redescobrir, a obra de Joan Miró. 

A companhia Alouette Projects afirma que o processo criativo de cada um dos seus projectos é muito particular. Em cada um deles, música e expressão cénica são criadas em simultâneo e nascem sempre de experimentações e improvisações guiadas por uma dramaturgia rigorosa.

Mi Ré MIRÓ convida o público a deixar-se emergir num universo próprio, repleto de sons e imagens alusivas à obra de Joan Miró. A Câmara Municipal de Alandroal convida-o a assistir e participar neste deslumbrante espectáculo e a deixar-se maravilhar pela sumptuosidade das cenas criadas pela companhia Alouette Projects, nesta peça que estreou em 2010, na Casa da Música, no Porto.
Fonte: gabineteimprensa/cmalandroal 

Para saber um pouco mais sobre vida e obra do pintor e escultor espanhol Joan Miró i Ferrà, consulte a publicação no Poet'anarquista de 25 de Dezembro de 2010 - «JOAN MIRÓ».
Poet'anarquista

CARTOON versus QUADRAS

Apelo à Greve
HenriCartoon

«APELO À GREVE»

Só Ares, o manifesto dá pano pra mangas
Com várias saias arrojando-se pelo chão,
Acordaste agora no meio desta recessão...
Em greve geral é fixe dizer umas tangas!

-Óbvio, a minha sapiência conforme se vê
Aliada ao meu bom senso incontroverso,
Os anos não perdoam  e então adormeço...
Mas digam lá, o manifesto é sobre quê?

POETA

PINTURA - TOULOUSE LAUTREC

O pintor pós-impressionista e litográfico francês Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa, ou simplesmente Toulouse-Lautrec, nasceu em Albi a 24 de Novembro de 1864. Ficou muito conhecido por pintar a vida boémia de Paris nos finais do séc. XIX, e foi ele quem revolucionou o desenho gráfico em extraordinários cartazes publicitários. Com isto ajudou a definir um estilo que mais tarde viria a ser reconhecido como «Art Nouveau». Faleceu aos 36 anos em Saint-André-du-Bois, a 9 de Setembro de 1901, vítima de sífilis e alcoolismo.
Poet'anarquista
Toulouse-Lautrec
 Pintor Francês

«Caricatura/ Auto-Retrato»
Toulouse-Lautrec
BIOGRAFIA

Henri Marie Raymonde de Toulouse-Lautrec Monfa nasceu numa família aristocrática, recebeu educação artística e foi um menino normal até os 14 anos, altura em que sofreu um acidente e quebrou o fémur esquerdo. Menos de um ano depois, quebrou o direito. Os traumatismos, aliados a uma doença óssea congénita, atrofiaram as suas pernas e não o deixaram desenvolver-se normalmente.  Tornou-se praticamente um anão, com dificuldades locomotoras. Passou, então, a dedicar cada vez mais tempo à pintura.

Em 1872, em Paris, ingressou no Liceu Fontanes e, em 1881, depois de bacharelar-se, decidiu tornar-se pintor. Um dos seus primeiros mestres, Léon-Joseph-Florentin Bonnat, defensor das normas académicas e contrário aos impressionistas, não gostava dos desenhos do aluno. Em 1883, Toulouse-Lautrec  passou ao estúdio de Fernand Cormon, onde conheceu Van Gogh e Émile Bernard. Apesar do apoio do novo mestre, sentia a estética académica como algo cada vez mais restritivo.

Montou o seu próprio estúdio e passou a freqüentar o bairro boémio de Montmartre em Paris, que se tornaria célebre na sua obra. Ao contrário dos impressionistas, Toulouse-Lautrec tinha pouco interesse pelas paisagens e preferia os interiores. Pintou «Moulin Rouge», «Au salon de la rue des Moulins» e inúmeros retratos.

O seu estilo transgredia as proporções anatómicas e as leis da perspectiva em favor da expressividade. Os traços rápidos e as cores intensas sugeriam movimento. A simplificação do contorno e o uso de grandes áreas numa só cor caracterizam os seus cartazes, que estão entre as suas obras mais significativas.

A partir de 1892, Toulouse-Lautrec dedicou-se à litografia. Entre as mais de 300 que produziu, destaca-se a série «Elles», retratando a vida nos bordéis. Nessa época o artista já estava entregue ao alcoolismo. Em 1899, após um colapso nervoso, passou alguns meses num sanatório mas voltou a beber.

Henri de Toulouse-Lautrec morreu prematuramente, aos 36 anos, no castelo de Malromé em Gironde. Apesar da excepcional popularidade dos seus cartazes publicitários e das numerosas litografias, o reconhecimento da importância estética de sua obra demorou a chegar.
Fonte: UOLEducação
«Salão da Rua Moulins»
Toulouse-Lautrec

«Bailarina no Camarim»
Toulouse-Lautrec

«No Moulin Rouge»
Toulouse-Lautrec

«Nua Reclinada»
Toulouse-Lautrec

«Dançando no Moulin Rouge»
Toulouse-Lautrec

«As Últimas Migalhas»
Toulouse-Lautrec

«O Gato Preto»
Toulouse-Lautrec

«PÓS-IMPRESSIONISMO»

TOULOUSE-LAUTREC