terça-feira, 13 de setembro de 2011

FOTO-POESIA (MOMENTO ÚNICO)

OLHAR AS COISAS 
(Momento Único)

O instante momento
Que passa...
A vida!
Uma imagem...
Ou um sonho
Que fica
Para sempre
No teu olhar!!

Matias  José  
«A Matança do Porco»
Em cima, da esquerda para a direita: Comadre Edviges, Tita, Antónia Cardoso, Gai
Em baixo, da esquerda para a direita: Jico, António Tátá, Cabé

A MORTE DO PORCO...

Nas vésperas da matança do porco...
Sempre ansioso com a chegada desse dia,
Minha alma inquieta, eu feito um louco,
Pois não gostava quando o porco morria.

Aquele barulho forte que então ouvia
E que aos poucos se tornava mais rouco,
Deitado na cama, fingindo que dormia...
Desejava nesses instantes puder ser mouco.

Quando ouvia os sons familiares pelo jardim
Na azáfama habitual de qualquer matança, 
Saía do meu quarto com toda a confiança...
A vida do porco tinha chegado ao seu fim.

Ainda hoje ouço esses guinchos aflitivos
Em sonhos, de quando eu era criança...
O grunhir dos porcos já sem esperança,
E no jardim, os sons familiares afectivos!

Matias José

7 comentários:

Anónimo disse...

Enternecedor Encontro de Palavras e Imagem!!!...
Deliciosa Postagem!!!...
Sou sobrinha (2.º grau) da comadre
Hedevige.Reconheci TODOS.
Bonitas Recordações!...

A lagriminha assumou...
A Saudade atacou!...

Muito Grata por ESTE LINDO MOMEMTO!

Uma Alandroalense (L...)

Camões disse...

Cara conterrânea (L...)

Uma agradável surpresa saber que a comadre Hedevige (assim a tratava) era sua tia.

Gostava muito de a observar quando preparava e depois enchia a carne, juntamente com a minha avó. Eram duas boas amigas, como família.

Aproveito para perguntar se o nome «Hedevige» se escreve como está na publicação...

Obrigado pelas suas palavras sempre amáveis e aceite as mais cordiais saudações alentejanas...

Kabé

andrade da silva disse...

Primeiro nunca vos descobriria na Foto.

Também assisti em pequeno a matanças de porcos, durante muitos anos ouvia o grito do porco - um espetáculo horrível - esqueci, entretanto esses gritos, mas ao ler o poema recordo e vejo tudo muito claro. Tudo como naqueles tempos.
Criança, ainda, ficava espantado, como é que aqueles homens e mulheres podiam estar tão contentes com o sacrificio do porco, tanto maior quanto mais nabo fosse o matador. Uma coisa horrível, uma imagem muito dramática, mas gosto de febras com tinto.
joão

Anónimo disse...

Caro conterrâneo Kabé:

A minha tia e a sua avó eram de facto comadres e duas boas amigas.
Embora ainda menina, lembro-me que um dos meus primos e mulher, tendo ido visitar o Alandroal, foram convidados pela madrinha, sua Avó, a irem jantar a vossa casa. No final do jantar, a sua mãezinha foi para o Piano e dedicou-lhes o resto do serão... Escusado será dizer que eles ficaram muito sensibilizados e comentaram com a família!...Nunca mais esqueci.

Relativamente ao nome, a forma correcta de escrever é: «Edviges»

Muito Obrigada pela sua gentileza.

Aceite, também, as mais cordiais saudações alentejanas, perfumadas de Loendros...

(L...)

xpto disse...

Amigo Cabé. Excepcional descoberta fotografica e não menos excepcional poema.
Gostei de vêr o meu pai e toda a familia e mais uma vez a comoção tomou conta de mim ao recordar a Dona Antónia a quem fiquei a dever o ensino das primeiras letras.
Gostaria que me autorizasses a transcrever para o Al Tejo toda a postagem que publicaria para a próxima semana.
Obrigado
Um grande abraço
Chico

Anónimo disse...

No meu tempo quem matava os porcos era o Sr. Joaquim da Rouca... e a comadre Edviges (mãe do Zeca) era o braço direito da avó Antónia na preparação das carnes. Lembro-me bem dos dias de matança no jardim..., o avó Biga, a ansiedade em pessoa, dando ordens e opiniões mas não mechendo uma palha... ...se me lembro!
Confesso que não me causava qualquer impressão ver matar os porcos e ouvir o seu gruñi... gruñi... ...talvez tivesse um personalidade meio sanguinária na infância, mas, pelos vistos, consegui sublimá-la muitíssimo bem.
O porco, contra sua vontade, era colocado numa banca, atadas as patas, metido um tijolo na boca e atado o focinho; mesmo assim, claro, despedia uns desesperados gruñi... gruñi quando um enorme facalhão lhe entrava pela barbela adentro até ficar bem sangradinho e no mortal silêncio. Porco morto, venha outro, porque habitualmente eram dois, que já tinha pressentido o que lhe ia acontecer.
Nesse dia comiam-se umas iscas divinais, sem tintol que só passava pela goela dos crescidos.
A fantástica fotografia não comento, pois só de vê-la pôs-se-me um nó na garganta..., tais as personagens que dela fazem parte.
Um grande abraço do

AC

ps: porra... atende o telefone quando te ligo!...

Anónimo disse...

Como disse o amigo Chico "Excepcional descoberta fotografica e não menos excepcional poema." Não posso estar mais de acordo, é na verdade mais um grande momento neste blogue da autoria do amigo Cabé. Ao observar a foto e reconhecer de imediato a professora que me ensinou as primeiras letras, senti uma enorme alegria. Quanto ao poema, extraordinário diga-se de passagem e que por instantes me fez arrepiar os pêlos, também eu nunca gostei de assistir à morte do porco ou outro qualquer animal que fosse. Ainda hoje sou assim. Só participava na matança depois do porco morto e aí sim, a cachola era uma delícia juntamente com a laranja para cortar aquele caldo gordurento.
Um abraço ao poeta!