quarta-feira, 31 de agosto de 2011

POESIA - THÉOPHILE GAUTIER

Pierre Jules Théophile Gautier, nascido em Tarbes a 31 de Agosto de 1811, foi um escritor, poeta, jornalista e crítico literário francês. Como poeta iniciou-se no romantismo, mas cedo rompeu com esse estilo. Os seus melhores trabalhos, muito apreciados pela crítica da época, fazem parte da escola parnasiana da qual foi um dos principais percursores. São eles «Espanha» e «Viagem a Espanha», ambos editados em 1945. Gautier faleceu em Paris, a 23 de Outubro de 1872.
Poet'anarquista
Théophil Gautier
 Poeta Francês

BREVE BIOGRAFIA

Théophile Gautier nasceu em Tarbes (França), em 1811. Ainda criança, foi para Paris, onde estudou e iniciu o seu caminho na literatura.

Recebeu apoio do escritor Gerárd de Nerval, que o introduziu no círculo dos românticos. Em 1830, projectou o seu nome após uma defesa da peça “Hernani”, de Victor Hugo.

No mesmo ano, lançou «Poésies Tempranas» e dois anos depois «Albertus», considerado o seu grande poema romântico. 

Mas a relação com os românticos não durou muito. Em 1833, Gautier ridicularizou os formadores dessa escola numa obra chamada «Les Jeunes-France». Depois disso, em 1835, publicou o romance «Mademoiselle de Maupin», que é a sua novela mais conhecida.

Afastado dos românticos, Gautier tornou-se o precursor da escola Parnasiana na poesia francesa. Lançou dois livros de poemas que são aclamados pela crítica como os seus melhores trabalhos. Os livros chamam-se «España» e «Voyage em Espagne», ambos lançados em 1845 e inspirados numa viagem que o poeta fez à Espanha.

Não apenas ligado ao mundo da poesia e para sobreviver, Gautier trabalhou como jornalista nas revistas «La Revue» e «L'Artiste». Lançou outro livro em 1852, «Émaux et Camées», que influenciou vários poetas parnasianos. 

Gautier faleceu em Paris, em 1872.
Fonte: Pensador.Info
AFINIDADADES SECRETAS
(Tradução de Érico Nogueira)

Sobre o frontão de um templo antigo,
dois blocos de mármore, olhando
o azul-anil do céu castiço,
esculpiram um sonho branco;

incrustadas no mesmo nácar,
depois que Vênus lá chorou,
duas pérolas segredaram
e o fundo do mar escutou;

por um jardim do verde Líbano,
irisada de gotas d'água,
a rosa não disse aos espinhos
o que eles não disseram à rosa;

sobre as cúpulas de Veneza,
dois pássaros brancos pousaram,
os mesmos que amor, com destreza,
deixou num tronco eternizados.

Mármor, pérola, rosa, ave,
tudo se vai, tudo se move;
funde a pérola, o mármor cai,
a rosa murcha, a ave foge.

Cada parcela, ao ir-se embora,
deságua no magma extremo
onde Deus bate na bigorna
a forma de tudo, e o desenho.

É mui lenta a metamorfose
do mármor branco em branca face,
da rosa em lábios cor-de-rosa,
do canto alado em verso táctil.

É o canto que reaparece
no coração de dois amantes,
e a perla que agora umedece
na boca de riso brilhante.

Daí nascem as simpatias
à doçura irrenunciável
que faz uma alma baldia
rever-se na cara metade.

Cedendo ao apelo do olfato,
à visão do brilho, ou da cor,
voa o átomo para o átomo,
como a abelha para a flor.

Ah, a memória dos devaneios
sob o frontão ou sobre o mar,
de frases partidas ao meio,
junto da fonte, à luz do luar,

de beijos e de asas que batem
em cúpulas de ouro puro,
e de moléculas que ardem,
e vão-se buscando no escuro.

Desperta o amor estiolado,
o que passou passa de novo,
rebenta a rosa sobre o lábio,
um olho pousa em outro olho.

Sobre o nácar, ou num sorriso,
a perla revê sua brancura;
num rosto delicado, liso,
o mármor o amor emoldura.

A voz da ave enfim ressoa,
eco abafado de um gemido,
todo obstáculo esboroa,
e o estranho se torna em amigo.

Ó tu, por quem eu ardo e passo,
que fonte, frontão ou roseira,
que cúpula viu nosso abraço,
perla ou mármor, flor ou abelha?

Théophile Gautier

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