sexta-feira, 24 de junho de 2011

POESIA - SÃO JOÃO DA CRUZ

São João da Cruz nasceu a 24 de Junho de 1542, em Fontiveros, província da cidade de Ávila, em Espanha. Este frade carmelita e poeta espanhol, ficou famoso na sua época pelos poemas místicos e frases célebres. São João da Cruz, tornado «Patrono dos Poetas Espanhóis» em 1952, faleceu em Úbeda, província de Jaén em Espanha, a 14 de Dezembro de 1591.
Poet'anarquista
São João da Cruz
Poeta Espanhol
BIOGRAFIA

São João da Cruz nasceu em 1542 em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe «inferior» foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.
Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do director do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. 
Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas os seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz a sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito os seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra a sua Primeira Missa.
Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade da vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projecto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei António de Jesus Heredia, inicia a Reforma. 
O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. 
Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. Padecer e depois morrer era o lema do autor da «Noite Escura da Alma», da «Subida do Monte Carmelo», do «Cântico Espiritual» e da «Chama de Amor Viva».

«Obras Completas»
São João da Cruz

Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: «Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. O seu trato muito agradável e a sua conversa bastante espiritual, era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal...» 

Santa Teresa de Jesus disse dele: «uma das almas mais puras que Deus tem na sua Igreja. Nosso Senhor  infundiu-lhe grandes riquezas de sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque a sua vida tem sido uma grande penitência». 

Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz.

Faleceu no convento de Úbeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes. 

A primeira edição das suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de Janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado e declarado Doutor da Igreja por Pio XI . Em 1952 foi proclamado «Patrono dos Poetas Espanhóis».
Fonte: CançãoNova

A NOITE ESCURA DA ALMA
Em uma noite escura
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
´stando já minha casa sossegada.
Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
´stando já minha casa sossegada.
Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.
Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.
Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada no amado transformada!

Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.
São João da Cruz

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