quinta-feira, 30 de setembro de 2010

REDE TERRAS DE SOL

Autarquias assinam acordo de parceria da Rede Terras de Sol
Autarcas Dos Seis Concelhos Alentejanos

Rede Terras de Sol vai promover desenvolvimento regional de seis concelhos 

O acordo de parceria da Rede Terras de Sol foi assinado na sexta-feira, dia 24 de Setembro, no Salão Nobre dos Paços do Município de Reguengos de Monsaraz. A Rede Terras de Sol é liderada pelo Município de Reguengos de Monsaraz e integra também as autarquias de Mourão, Portel, Redondo, Alandroal e Évora.

No acto de assinatura do acordo esteve presente o presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, o presidente da Câmara Municipal de Mourão, José Manuel Santinha, o presidente da Câmara Municipal de Portel, Norberto Patinho, o presidente da Câmara Municipal de Redondo, Alfredo Barroso, o presidente da Câmara Municipal de Alandroal, João Grilo e o vice-presidente da Câmara Municipal de Évora, Manuel Melgão.

O programa da Rede Terras de Sol é uma parceria criada no quadro das Redes Urbanas para a Competitividade e a Inovação que envolve estes seis municípios e está enquadrado numa estratégia de desenvolvimento regional do Alentejo, assente em princípios de reforço da identidade histórica, patrimonial e cultural, assim como nos recursos endógenos distintivos, com o objectivo de incrementar a competitividade dos respectivos territórios e ganhar economias de escala ao nível da atractividade territorial. Esta parceria de municípios do Alentejo Central propõe-se também desenvolver eixos prioritários de intervenção em articulação com as operações estratégicas, considerando cada um dos concelhos como pólo de competitividade ou segmento de oferta diferenciada, complementares entre si.

No âmbito da Rede Terras de Sol, o Município de Reguengos de Monsaraz vai candidatar as requalificações do Mercado Municipal da cidade, da Torre do Relógio em Monsaraz e dos edifícios para instalação do Centro Multimédia e para o Posto de Turismo também nesta vila medieval. Ainda na abrangência desta parceria, o Município de Reguengos de Monsaraz será responsável por dinamizar as operações Promoção Económica e Mercados Municipais, Plano de Comunicação e Marketing e Gestão e Governação.
Fonte: Rostos.pt 

COMBATE À POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL

Câmara de Alandroal assinala Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social
2010 Ano Europeu

Como é sabido, a pobreza e exclusão social continuam a afectar milhões de pessoas em todo o mundo e largos milhares em Portugal. Sendo um problema transversal que, directa ou indirectamente, afecta toda a sociedade, é fundamental que se unam esforços para o combater. Por isso mesmo, a Rede Social de Alandroal associou-se à Rede Europeia Anti-Pobreza nas comemorações do Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social.  

Assim sendo, a Câmara Municipal de Alandroal, como coordenadora da Rede Social, preparou, em articulação com as restantes entidades da Rede Social, um conjunto de actividades, a realizar em vários dias, e que se destinam a assinalar as comemorações do “2010 Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social”. 

O dia 6 de Outubro, data em que o Fórum Cultural de Alandroal vai receber a peça de teatro “Se o Mundo Fosse Bom o Dono Morava Nele”, marca o arranque das comemorações. Alguns dias depois, no dia 17 de Outubro, tem lugar um encontro de poetas populares, que vai acontecer em Ferreira de Capelins. Também neste dia terá lugar a abertura de uma exposição de fotografia, subordinada ao tema “Pobreza e Exclusão Social”. Já no dia 22 de Outubro será a vez da Casa do Povo de Santiago Maior receber a peça de teatro “Se o Mundo Fosse Bom o Dono Morava Nele”.

 Vila d'Landroal

Câmara Municipal do Alandroal 

HISTÓRIAS DESTE DIA

  Aconteceu a 30 de Setembro...

SOUSEL- FEIRA DO IDOSO

Alandroal: Município leva mais velhos à Feira do Idoso de Sousel
Feira do Idoso- Sousel 



Atenta às necessidades da população sénior, que tanto deu em prol do concelho, a Câmara Municipal de Alandroal vai levar os idosos à segunda edição da Feira do Idoso, em Sousel, no próximo dia 2 de Outubro. Esta é uma das iniciativas que a Autarquia alandroalense preparou, em colaboração com as entidades executoras dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS), para assinalar o mês do idoso, que se comemora em Outubro.

Ao longo do dia, os idosos do concelho vão poder participar em inúmeras actividades, preparadas especialmente para eles, ao mesmo tempo que vão poder aproveitar o convívio salutar com pessoas da mesma geração, estimulando assim a sua auto-estima e promovendo o seu bem-estar. Bailes, aulas de ginástica, torneios de jogos tradicionais, workshops e actuações de bandas e grupos de dança, são algumas das actividades em que os idosos poderão participar. 

A Câmara Municipal de Alandroal assegura o transporte para a Feira e ainda o almoço no dia 2. Com esta iniciativa, a Autarquia alandroalense pretende contribuir para o bem-estar da população idosa do concelho e transmitir uma mensagem de afecto aos mais velhos, demonstrando-lhes que continuam a ser pessoas activas e úteis à nossa sociedade.

 Vila d'Landroal

Apoio: Câmara Municipal do Alandroal 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

LITERATURA

Estávamos no ano de 1547, mais precisamente no dia 29 de Setembro; nascia em Alcalá de Henares, Espanha, um dos principais nomes da literatura espanhola. Miguel de Cervantes Saavedra, escritor, dramaturgo e poeta espanhol, iria ficar na história com a publicação literária de uma das suas obras mais importantes, senão mesmo a mais importante, «Don Quixote de la Mancha». Miguel de Cervantes faleceu em Madrid, a 23 de Abril de 1616. Recorda-se passados que são 463 anos da data do seu nascimento.
Poet'anarquista
Miguel de Cervantes
Por Juan de Jáuregui

BIOGRAFIA
Miguel de Cervantes
(Escritor, dramaturgo e poeta espanhol)
1547-1616

Escritor, dramaturgo e poeta espanhol (1547-1616). É o principal nome da Literatura espanhola. Com Don Quixote de la Mancha, uma sátira aos romances de cavalaria, torna-se o precursor do realismo na Espanha. Nasce em Alcalá de Henares. A partir de 1569, serve como soldado na Itália. Luta contra os turcos na Batalha de Lepanto (1571), na qual perde o movimento da mão esquerda. Em 1575, participa na expedição contra Túnis. É preso por um corsário árabe e passa cinco anos em cativeiro. De volta à Espanha, até 1587, escreve cerca de 30 peças de teatro e o seu primeiro livro, A Galatea (1585). Sem êxito na literatura, passa a trabalhar como colector de impostos. O sucesso chega com Don Quixote de la Mancha (1605), a sua principal obra. Conta as aventuras e desventuras de um fidalgo, o personagem-título, e de seu criado, Sancho Pança. Dividido entre a ilusão e a realidade, Don Quixote é considerado o símbolo do espírito idealista e aventureiro do ser humano. Já Sancho Pança é o arquétipo do lado realista e do bom senso. Escreve ainda Novelas Exemplares (1613), uma série de 12 pequenas histórias, e a segunda parte de Don Quixote (1615).
Fonte: NetSaber

Don Quixote de la Mancha
Pequeno Resumo

O protagonista da obra é Don Quixote, um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão por muita leitura de romances de cavalaria, e pretende imitar os seus heróis preferidos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro, que tem uma visão mais realista da vida. A acção gira em torno das três incursões da dupla por terras de La Mancha, de Aragão e de Catalunha. Nessas incursões, ele envolve-se numa série de aventuras, mas as suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. O efeito é altamente humorístico.
Poet'anarquista 

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 28 de Setembro...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ROTAS DO FRESCO

Alandroal associa-se ao projecto "Rotas do Fresco"

Rota do "Sol e da Lua" é a aposta da Autarquia para oferecer mais e melhor turismo 

FRESCO NO TECTO 
Capela Senhora das Neves
 
FRESCO EM PAREDE 
Capela Senhora das Neves 

FRESCO EM PAREDE 
Igreja da Misericórdia

ROTAS DO FRESCO

O concelho de Alandroal associou-se ao projecto “Rotas do Fresco”, com a inclusão da Rota do “Sol e da Lua”, a mais recente aposta da Autarquia alandroalense na área do Turismo. Para marcar o inicio desta parceria, e a vontade das partes envolvidas em que o projecto cresça de forma sustentada, o Alandroal recebeu no passado dia 26 de Setembro a visita da Directora Regional da Cultura, Aurora Carapinha, dos representantes das Autarquias de Borba e Vila Viçosa e da Entidade Regional de Turismo.

As Igrejas das Neves e da Misericórdia, no Alandroal, foram os locais escolhidos para receber a visita da comitiva do projecto “Rotas do Fresco”, que ficaram maravilhados com os belos frescos que ambas apresentam. 

Recorde-se que a integração do Alandroal no projecto Rotas do Fresco” nasceu da concertação de esforços entre as entidades envolvidas, nomeadamente a SPIRA, empresa promotora, o Município de Alandroal, as Autarquias de Borba e Vila Viçosa, que também aderiram ao projecto, o Ministério da Cultura e a Entidade Regional de Turismo. 

A Rota do Fresco do Alandroal, sob o tema “O Sol e a Lua”, agrega um conjunto de monumentos menos conhecidos mas muito ricos em pintura a fresco e, curiosamente, sempre com a representação do Sol e da Lua, símbolo de uma profunda devoção mariana neste concelho alentejano. O Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova de Terena, Monumento Nacional, está naturalmente incluído no percurso. O artesanato de mantas tradicionais e a tradicional arte de declamação por poetas populares são outros atractivos desta Rota, que não termina sem um petisco com o Alqueva em fundo, dando a conhecer este novo Alentejo da água. 

O projecto Rota do Fresco caracteriza-se pela criação de diferentes rotas turísticas, experiências e programas temáticos, onde os visitantes vão ter a hipótese de aceder a património arquitectónico habitualmente fechado ao público, assistir ao vivo às tradições etnológicas, provar a gastronomia regional e apreciar a paisagem envolvente. Tudo isto partilhando a descoberta de uma pintura mural – um “fresco”, o tesouro desconhecido do Alentejo.

De referir ainda que o projecto Rota do Fresco contribui activamente para a preservação do património do Alentejo, uma vez que parte das receitas reverte a favor do desenvolvimento de programas de valorização e conservação de herança cultural alentejana. Para mais informações sobre o projecto Rota do Fresco consulte o site www.rotadofresco.com.

                                                        Vila d'Landroal
                                                   Câmara Municipal do Alandroal 

HISTÓRIAS DESTE DIA

                 Aconteceu a 27 de Setembro...                

domingo, 26 de setembro de 2010

QUADRA versus CARTOON

A AMEAÇA

Sócrates 
Se este orçamento não passar
Eu demito-me, não te esqueças!!!

Zé Povinho 
É bom demais pra acreditar…
Mas alguém crê em promessas???

POETA

A Ameaça
HenriCartoon

HISTÓRIAS DESTE DIA


Aconteceu a 26 de Setembro...

sábado, 25 de setembro de 2010

CURIOSIDADES

Arte Designer/ Criatividade  Inovadora 

“Five Fingers” ou “Sapatos 5 Dedos” é a mais nova alternativa para os sapatos convencionais, com divisões para os dedos e sola especial. Quem os usou garante que os sapatos dão mais controle, mobilidade e estabilidade ao andar. Disponível em três versões (Classic, Sprint e Surge), este é um produto  que por enquanto só esta à venda em lojas nos Estados Unidos.

SAPATOS DESPORTIVOS






5 DEDOS

CARTOON versus QUADRA

Desacordo de Cavalheiros
HenriCartoon

DES)ACORDO DE CAVALHEIROS

Trócastes e Fedelho em Uníssono... 

E agora o que fazemos??
Gestos obscenos de momento...
Dedos em riste e fingimos,
Des)acordo no orçamento!!

POETA 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

QUADRAS versus CARTOON

Escolas Recomendam Dicionário Com Palavrões 

Mamã, sei umas palavras novas…
Aprendi história hoje na escola.
Se prometeres que não me sovas?...
Vou dizê-las,  pois sou criançola!

Meu amor, meu querido filhinho,
Estou ansiosa para te ouvir ler…
As novas palavras nesse livrinho,
Que  na escolinha foste aprender!

Se me comes lobo do caralho,
Fodo-te os cornos seu paneleiro!...
Cabrão de merda, grande bandalho,
Já não enganas nem o primeiro!!

POETA
 
Escolas Recomendam Dicionário Com Palavrões
HenriCartoon

PABLO NERUDA

Foi no dia 23 de Setembro de 1973 que faleceu o grande poeta chileno Pablo Neruda. Passados que são 37 anos da sua morte, Poet'anarquista recorda-o neste espaço com uma breve biografia e o poema "Cuerpo de Mujer".

Pablo Neruda
Poeta Chileno

BIOGRAFIA

Pablo Neruda, pseudónimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. 

Poeta chileno, considerado um dos mais importantes literatos do século XX. O seu pseudónimo foi escolhido para homenagear o poeta checo Jan Neruda. A sua obra é lírica, plena de emoção e marcada por um acentuado humanismo. No seu livro de estreia, com apenas 20 anos, Crepusculário (1923), já  assinou Pablo Neruda que, em 1946, passou a ser legalmente o seu novo nome. A sua fama tornou-se maior com a publicação de vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924). 

Alternando a vida literária com a diplomática, Pablo Neruda era o embaixador chileno na França quando ocorreu o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende. De volta ao Chile, sofreu perseguições políticas e morreu pouco depois, sendo enterrado na sua casa de Isla Negra, ao sul do Chile. Da sua obra destacam-se Residência na Terra (1933), España en el Corazón (1937, inspirado na Guerra Civil Espanhola), Canto Geral (1950), Cem Sonetos de Amor (1959), Memorial de Isla Negra (1964), A Espada Incendiada (1970) e a autobiografia póstuma, Confesso que Vivi (1974), um emocionante testemunho do tempo e das emoções de um grande poeta. 

Em 1971, Neruda recebeu o Prémio Nobel de Literatura e o Prémio Lenine da Paz. Antes havia sido agraciado com o Prémio Nacional de Literatura (1945). 

Morre em 23 de Setembro de 1973, na Clínica Santa Maria de Santiago (Chile), vítima de um câncer de próstata.
Fonte: PENSADOR.INFO 

CUERPO DE MUJER...

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.
 
Pablo Neruda

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MANUEL MARIA l’HEDOIS de BARBOSA du BOCAGE


BOCAGE (1765-1805)
Retratado pelo pintor Elói

BIOGRAFIA

Foi o maior poeta português do século XVIII, que se irmana com Camões nas desventuras de uma existência repartida entre Portugal e a Índia. Manuel Maria l’Hedois de Barbosa du Bocage - de seu nome completo - era filho de um advogado e de uma senhora francesa de ascendência normanda. Órfão de mãe desde os dez anos, assentou praça em Setúbal em 1781, tendo-se alistado dois anos depois na recém-fundada Academia dos Guardas-Marinhas, em Lisboa. Conheceu então a boemia lisboeta, os botequins, o Nicola, onde o seu génio poético se afirmou no improviso e lhe ganhou aplausos. Subitamente, ao fim de dez meses de frequência do curso, Bocage abandonou os estudos, sendo dado como desertor em 6 de junho de 1784. Nomeado Guarda-Marinha, partiu para a Índia a 4 de Abril de 1786, fazendo escala no Rio de Janeiro, tendo chegado a Goa em 20 de Outubro. 

A sua estada na Índia foi por ele comparada ao exílio de Ovídio entre os Getas - os "bárbaros" indianos que o rodeavam. Promovido ao posto de tenente, foi destacado em Damão, mas só aí permaneceu dois dias, 7 a 8 de Abril de 1789, refugiando-se em Macau de onde viajou para Lisboa, em 1790. 

No seu regresso, Bocage aderiu à Nova Arcádia, onde assumiu o pseudónimo literário de Elmano Sadino. Em 10 de Agosto de 1797 foi preso por ordem do intendente Pina Manique, acusado de ser "autor de papéis ímpios e sediciosos". A peça principal do auto de acusação era o poema Pavorosa Ilusão da Eternidade. A 7 de Novembro do mesmo ano foi transferido para os cárceres da Inquisição, daí seguindo, a 22 de Março de 1798, para o Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, dirigida pelos padres do Oratório. Pouco depois saiu do convento e um trabalho regular e remunerado tornou-se nele uma necessidade desde o momento em que procurou dar à irmã mais nova, Maria Francisca, um lar. E assim se instalou na travessa André Valente, no andar onde morreu e se encontra afixada uma placa comemorativa da sua presença. 

Foi durante este período que travou uma polémica com José Agostinho de Macedo, ditando a um amigo no Nicola a Pena de Talião, sátira que ficou célebre na literatura portuguesa. Consumido por um quotidiano desregrado, contraiu um aneurisma, que o forçou ao recolhimento e o levou a reconciliar-se com as normas convencionais da existência e com os inimigos. Reduzido a extrema penúria, foi graças aos esforços de um amigo, José Pedro da Silva, que lhe recolheu os poemas compostos durante a enfermidade e os publicou, vendendo-os pela rua, que o poeta auferiu alguns recursos com que manteve o modesto lar. Os poemas desta fase final da sua vida mostra um passado de boémia e de irreverência, perdido o ardor que animara os verdes anos e o sustentara até à hora da doença. Morreu em 21 de Dezembro de 1805. 

Toda a poesia de Bocage se nutre das suas vicissitudes biográficas. O amor e o erotismo, o ódio e a raiva das ofensas sofridas ou imaginadas, vibram nos seus versos com a intensidade do excesso, que a forma apurada e o rigor verbal dominam, tornando mais impressionante o seu efeito estético. O poeta cultivava com igual desenvoltura todos os géneros, desde o soneto de fina conceituação petrarquista ao verso fescenino, servindo-se ainda dos códigos de um discurso classicista, onde prorrompeu já um vigoroso individualismo em revolta com as normas e os tabus da sociedade vigente. A atitude do poeta contra a tirania e o despotismo não implicou, no entanto, na aceitação do radicalismo da Revolução Francesa, a que se opõe, nem a via do libertino, que o seduziu, esmoreceu nele as suas crenças e convicções de católico. Bocage foi um ser contraditório, que soube viver intensamente na sua poesia as suas contradições existenciais. O seu fascínio pela morte e a expressão da sua extrema emotividade fizeram dele um precursor do Romantismo, cujos desbordamentos evitou no apego à contenção clássica, impondo-se como um artífice do verso, o chamado elmanismo, que tanto atrairá os parnasianos portugueses e brasileiros. 

Foi um tradutor rigoroso do latim e do francês, vertendo para o nosso idioma textos de Ovídio, Museu, Lacroix, Voltaire, Delille, Pierre Rousseau, entre outros.
Fonte: Passeiweb

MAGRO, DE OLHOS AZUIS, CARÃO MORENO
  
 Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
  
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;
  
Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou cagando ao vento.

Bocage 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

CARTOON versus QUADRA

A Grande Questão
HenriCartoon

A GRANDE QUESTÃO 

Passos Fedelho 
Em Portugal temos tudo às avessas...

José Trócastes 
Mas afinal o que pretende insinuar???

Passos Fedelho  
Meu amigo,  foram tantas promessas,
Como mentiras de pernas pró ar!!!

José Trócastes
Curioso, esse é precisamente o meu ponto de vista...

POETA 

domingo, 19 de setembro de 2010

LITERATURA

O escritor romancista William Golding celebraria hoje, caso fosse vivo, a data do seu nascimento, 19 de Setembro de 1911, e completaria 99 anos de idade. Poet'anarquista recorda aquele que foi um grande escritor inglês do século passado, actor e produtor em pequenas companhias de teatro, até tornar-se professor em Salisbury.

William Golding
Escritor Romancista

BREVE BIOGRAFIA
William Golding
(Escritor inglês)
19/09/1911, Cornwall (Inglaterra)
19/06/1993, Perranarworthal (Inglaterra)

William Gerald Golding nasceu em 1911, na Inglaterra. Em 1935, após publicar uma pequena colecção de poemas, gradua-se em literatura inglesa em Oxford. Trabalhou como escritor, actor e produtor em pequenas companhias de teatro, até tornar-se professor em Salisbury. 

Em 1940, entra para a Marinha inglesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, participa da perseguição e afundamento do navio alemão Bismarck e também do desembarque das tropas aliadas na Normandia, em 1944. Após a guerra, volta a leccionar. 

O seu romance de estreia foi "O Senhor das Moscas", publicado em 1954. Na sequência, viriam "Os Herdeiros" (1955) e "Queda Livre" (1959), entre outros títulos. No ano de 1980, o seu livro "Ritos de Passagem" rende-lhe o Booker Prize inglês, um dos mais importantes prémios literários do mundo. 

Em 1983, como reconhecimento pela sua obra, é agraciado com o Prémio Nobel de literatura. 

Cinco anos mais tarde, recebe o título de cavaleiro do Império Britânico. Golding morreu em 1993, deixando um romance inacabado, "The Double Tongue" (A Língua Dupla).
Fonte: NETSABER

O SENHOR DAS MOSCAS
Romance de William Golding 

BREVE RESUMO
 
O romance de William Golding, "O Senhor das Moscas", conta a história de um grupo de meninos que ficaram isolados numa ilha deserta do Pacífico, quando o avião que deveria evacuá-los de uma cidade foi alvo de bombardeios e caiu. Golding fez uma verdadeira análise da natureza humana  influenciada pela sua visão de que, “Qualquer pessoa que tenha passado por esses acontecimentos terríveis (Golding lutou pela marinha britânica na 2ª Guerra Mundial) sem entender que o homem produz o mal como a abelha produz o mel, estava cega ou louca.”.

Os meninos, entregues à própria sorte e sem noções de formas de organização de sociedade, passam por fases distintas, desde o deslumbramento pelo natural e a escolha de um líder simpático, à divisão entre dois grupos rivais que passam a lutar pela sobrevivência, à morte de integrantes e à entrega total das condições extremas em que vivem, perdendo todos os receios e pudores que antes lhes eram impostos. Além dessa mudança colectiva, os meninos mudam interna e individualmente também, sendo os principais quatro ou cinco personagens muito bem trabalhados.
Fonte: Especial Literário
 

sábado, 18 de setembro de 2010

BANDA DESENHADA E POESIA

Algures entre a Serra D'Ossa e o Alandroal... 

Vila Cheia (Norte)
João Paulo Galhardas

BURACO  DA  ALMA  

  para  os  lados  de   “ Vila  Cheia “?!...
Num   lugar  de  encantar…
Uma   Alma  em  seu  Buraco
Não  se  cansa  de  esperar.
Sei  que  por  mim  anseia
Para   estar  perto,  a  seu  lado,
E   poder  enfim  libertar,
Este  ser,  seu  ser  amado!

Matias José (2007)

Vila Cheia (Sul)
João Paulo Galhardas

VILA  CHEIA  

Terra  de  horizontes  imaginários
Ali  nas  abas  da  serra  D’Ossa,
Onde  gente  simples  mas honrada,
Espera  um  novo  dia,  outra  alvorada!
Sorrindo  para  quem  passa
Por  caminhos    secundários,
Esse   povo  da  vila  “amada”
Tem  cheiro  a  terra  molhada!!
Vila  Cheia,  vila  nossa?!...
De  personagens  extraordinários,
Será  sempre  a  arte  imaginada
Desta  vossa  “Banda  Desenhada”!!!

Matias  José (2007)

À Porta do Monte
João Paulo Galhardas 

À  PORTA  DO  MONTE    

Era  o  cair  da  tarde  do  mês  de  Abril.
À   porta  do  monte  os  velhotes
Espreitavam  os  últimos  raios  de  sol
De  um  dia  como  outro  qualquer?...
Fazendo  prospecção  no  terreno,
Porque  as  pedras  dos  nossos  antepassados
Também  eram  a  sua  paixão  de  menino,
Descansou   por  alguns  minutos
E  recuou  a  épocas  muito  antigas?!
Estavam  riscados  os  primeiros  traços
Para  uma  nova  aventura  de  “Banda  Desenhada”!

Matias José (2007)

ABUSO DE PODER

Escravo Brasileiro
Debret

Abuso de poder 

É o acto ou efeito de impôr a vontade de um sobre a de outro, tendo por base o exercício do poder, sem considerar as leis vigentes (importa esclarecer que a noção de abuso de poder carece sempre de normas pré-estabelecidas para que seja possível a sua definição. Desta maneira é evidente que a palavra "abuso" já se encontra determinada por uma forma mais subtil de poder, o poder de definir a própria definição. Assim que o abuso só é possível quando as relações de poder assim o determinam). A democracia directa é um sistema que se opõe a este tipo de atitude. O abuso de poder pode dar-se em diversos níveis de poder, desde o doméstico entre os membros de uma mesma família, até aos níveis mais abrangentes. O poder exercido pode ser o económico, político ou qualquer outra forma a partir da qual um indivíduo ou colectividade têm influência directa sobre outros. O abuso caracteriza-se pelo uso ilegal ou coercivo deste poder para atingir um determinado fim. O expoente máximo do abuso do poder é a submissão de outrém às diversas formas de escravidão.

Trabalhadores em Campo de Concentração
Buchenwald, Alemanha, 1945

Poder 

A noção de poder envolve aspectos mais amplos e complexos do que o mero excercício de poder sobre outrém. O poder pode ser exercido desde as formas mais subtis até aos níveis mais explícitos e comumente identificáveis. Assim sendo, caracterizar o abuso de poder deixa de ser uma tarefa de simples identificação da acção do forte sobre o fraco, passando a considerar que o poder, em determinadas situações e circunstâncias, muda de mãos e ganha nuances implícitas, que dificultam a identificação do abuso do mesmo.

Uma pessoa em situação desvantajosa que saiba identificar em que aspectos tem poder, pode usar de artifícios abusivos para sair da posição desvantajosa. Isso pode ser fácilmente identificado em países democráticos, nos quais os direitos das minorias são salvaguardados e que indivíduos pertencentes a estas minorias aproveitam-se do argumento do politicamente correcto para neutralizar os seus adversários em questões jurídicas, por exemplo. Nestes casos, o direito adquirido legitimamente e ideológicamente correcto, aceite socialmente, passa a ser uma forma de poder nas mãos de quem o detém. Poder este que pode ser exercido da forma genuína ou da forma abusiva, dependendo do caso.

Algumas formas de abuso de poder

Económico: quando o indivíduo ou colectividade tira vantagem ilícita do dinheiro ou bens materiais em detrimento de outrém.
Político: o uso da autoridade legítima ou da influência para sobrepujar o mais fraco de modo ilegítimo.
No domínio da informação: recurso utilizado por quem detém o conhecimento ou a informação e os nega aos demais como forma de proteger-se ou de tirar vantagem.
Ideológico: quando se utiliza ilícitamente da ideologia socialmente aceite como forma de tirar vantagens ou de vencer opositores.
Apadrinhamento (nepotismo): uso de notoriedade, conhecimentos ou autoridade para favorecer outrém de forma ilícita.

Abuso de autoridade

Constitui-se abuso quando uma autoridade, no uso de suas funções, pratica qualquer atentado contra a liberdade de locomoção, a inviolabilidade do domicílio, o sigilo da correspondência, a liberdade de consciência e de crença, o livre exercício do culto religioso, a liberdade de associação, os direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto, o direito de reunião,a incolumidade física do indivíduo e, aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. O abuso de autoridade levará o seu autor à sanção administrativa civil e penal, com base na lei. A sanção pode variar desde advertência até à exoneração das funções, conforme a gravidade do acto praticado. 
 
Abuso do Poder Económico
Gerador de Injustiça Social

Abuso de poder económico 

Constitui abuso do poder económico toda a forma de actividade na eliminação da concorrência, domínio dos mercados ou aumento arbitrário dos lucros.

A Constituição ao tratar dos princípios gerais da actividade económica assegura que "a lei reprimirá o abuso do poder económico que vise à dominação do mercado, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros". Esta lei tem como finalidade prevenir e reprimir as infracções contra a ordem económica, tomando como ponto de partida os princípios consagrados na Constituição, para garantir a livre concorrência, que tem como finalidade última a defesa dos interesses do consumidor. Esta lei, ao contrário do que se pensava, logo na sua instituição não surgiu com a finalidade de impedir o desemprego e não tem como finalidade proteger o emprego.

Assédio moral no trabalho

O assédio moral no ambiente de trabalho é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício das suas funções. Este tipo de assédio é mais comum em relações hierárquicas autoritárias e desiguais, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinados, desestabilizando a vítima em relação ao ambiente de trabalho e à organização...

Coerção

A coerção é o acto de induzir, pressionar ou compelir alguém a fazer algo pela força, intimidação ou ameaça. Uma forma comumente usada para motivação de pessoas ou conjunto de pessoas é a coerção, já que evita a dor ou outras consequências negativas e tem um efeito imediato sobre as suas vítimas.

Quando tal coerção é permanente, é considerada escravidão. Embora a coerção seja considerada moralmente repreensível em muitas filosofias, ela é largamente praticada em prisioneiros ou na forma de convocação militar. Críticos do capitalismo moderno acusam que sem redes de proteção social, a "escravidão salarial" é inevitável. Coerções de sucesso são prioritárias sobre outros tipos de motivação.
 
 Placa numa Plataforma em Tóquio
 Só Mulheres para Evitar Assédio Sexual no Comboio

Assédio sexual

O assédio sexual é um tipo de coerção de carácter sexual praticada por uma pessoa em posição hierárquica superior em relação a um subordinado, normalmente em local de trabalho ou ambiente académico. O assédio sexual caracteriza-se por alguma ameaça, insinuação de ameaça ou hostilidade contra o subordinado, com fundamento em sexismo.

Exemplos clássicos são as condições impostas para uma promoção que envolvam favores sexuais, ou a ameaça de demissão caso o empregado recuse o flerte do superior.

O assédio sexual também pode ocorrer fora do ambiente de trabalho, em situações em que a vítima pode ser constrangida publicamente com gestos ou palavras, ou ainda impedida de reagir por se encontrar impossibilitada de deixar o local, como no caso dos transportes colectivos lotados. Outra forma de assédio sexual é o acto de seduzir ou induzir a vítima a prácticas sexuais não consensuais quando esta se encontra sob efeito de alguma substância que altere o seu auto-controle, como o álcool por exemplo. Quando o assédio chega às vias de facto, nestas circunstâncias, caracteriza-se o abuso sexual ou a violação.
Fonte: Wikipédia

terça-feira, 14 de setembro de 2010

AUTARQUIA OFERECE MANUAIS ESCOLARES

Presidente João Grilo e Alunos do 1º Ciclo
Oferta de Manuais Escolares

No passado dia 10 de Setembro de 2010, na abertura de um novo ano lectivo para as crianças do 1º Ciclo das escolas do Concelho, a Autarquia do Alandroal esteve presente para fazer entrega de manuais escolares e mochilas a todos os alunos.

Este é um investimento com olhos postos no futuro, sendo por isso motivo de orgulho para todos os pais que têm os seus filhos a estudar, e que apostam numa formação digna para os seus educandos.

A sustentabilidade económica e cultural passa por este tipo de medidas, são elas que asseguram um desenvolvimento equilibrado, onde todos possam usufruir das mesmas oportunidades de aprendizagem e formação.

Muitos parabéns à Autarquia do Concelho do Alandroal!
Poet'anarquista

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

LITERATURA

Cumpriria hoje, 13 de Setembro de 2010, 125 anos de idade o grande romancista português Aquilino Gomes Ribeiro. Poet'anarquista recorda-o com uma breve biografia, e um excerto de uma obra sua em que evoca a cidade de Lisboa.

                                                                        Aquilino Ribeiro
Romancista 

BIOGRAFIA
 
Aquilino Ribeiro nasce a 13 de Setembro de 1885 em Carregal de Tabosa, concelho de Sernancelhe. Aos dez anos, vai residir com os pais para Soutosa, onde faz a instrução primária. Transita depois para Lamego e Viseu, onde chega a frequentar o seminário, abandonando-o por falta de vocação. Em 1906 muda-se para Lisboa e, em pleno período de agitação republicana, começa a escrever os primeiros artigos em jornais. Em 1907, devido à explosão de uma bomba, é preso. Mas consegue evadir-se e, entre 1908 e 1914, divide a sua residência entre Paris e Berlim. Em 1914, com a eclosão da I Grande Guerra, volta a Portugal. Em 1918 publica o primeiro romance, "A Vida Sinuosa", que dedica à memória do seu pai, Joaquim Francisco Ribeiro. A convite de Raul Proença, entra em 1919 para a Biblioteca Nacional. A partir desse ano, escreve incessantemente: "Terras do Demo" (1919), "O Romance da Raposa" (1924), "Andam Faunos Pelos Bosques" (1926), "A Batalha Sem Fim" (1931) e muitos outros títulos. Envolvido em revoltas contra a ditadura militar, no Porto e em Viseu, exila-se por duas (1927 e 1928) vezes em Paris, onde casa pela segunda vez (a primeira mulher falecera). A partir de 1935 o seu labor literário torna-se mais fecundo: "Volfrâmio" (1944), "O Arcanjo Negro" (1947), "O Malhadinhas" (1949), "A Casa Grande de Romarigães" (1957), "Quando os Lobos Uivam" (1958), este último apreendido pela censura e pretexto para um processo em tribunal. Entretanto, viaja: Brasil, Londres, Paris. Em 1963, durante as comemorações do 50° aniversário do seu primeiro livro--promovidas pela Sociedade Portuguesa de Escritores, então presidida por Ferreira de Castro - adoece inesperadamente. Morre a 7 de Maio de 1963, no Hospital da CUF, com 78 anos.
Fonte: planetaclix 

Eis um excerto de uma obra sua que muito tem a ver com Lisboa.
 
«(…) Eu via com os olhos não pasmados, que nunca soube o que era pasmo, mas abertos à compreensão, as grandes e amarelas tartarugas dos carros eléctricos vir rolando dos lados do Terreiro do Paço, tilintantes e pletóricas de gente. Logo após vinha o carro do Chora, com o automedonte de longos bigodes retorcidos a reger de chicote vivaz o tiro de três machos pimpões, o condutor de boné de pala, e atropeladamente naquela arca de Noé de peixeiras, vendedeiras de hortaliça e de coelhos mansos, operários com suas ferramentas, em suma, segundo o termo das Ordenações Manuelinas, os misquinhos de uma capital. (…) Todavia não pressenti o sumptuoso, nem o deliquescente de uma urbe meridional, de que os poetas e romancistas faziam cavalo de batalha nas suas especulações cantarizadas. Antes havia nela, nos habitantes, no céu, nas coisas, uma sobriedade afável que era grata de sentir. E por isto tudo, por essa desilusão literária, e porque representava para mim um degrau montante na escala dos conhecimentos, fiquei a adorar Lisboa desde esse dia.