domingo, 14 de fevereiro de 2010

COIMBRA- Pontes, Fado e Poesia

AS PONTES E O FADO

Do Choupal até à Lapa...


POESIA


Coimbra


Coimbra... Terra bela de encantos,

Imortal fado que de ti emana;

De lendas antigas... Lindos contos,

Beleza rara que não engana!


Águas calmas correm em teu leito

Que um dia esse rio viu nascer...

Corre o Mondego calmo e perfeito,

Assim sempre te deixem correr!


Tuas pontes que dão passagem

Às gentes percorrendo a vida...

De uma para a outra margem,

sempre uma ponte esquecida!


Do velho Choupal imortalizado

E da Lapa em seu esplendor,

Os versos que cantam teu fado...

São olhos de um grande amor!


Em soneto Camões te celebrizou

No universal canto... A tua memória!

Como ele... Ninguém mais cantou,

Épocas passadas da nossa história!


Valioso saber a gente muito ilustre...

Transmitiste das formas mais variadas;

Cidade berço de um menino mestre,

Que tão belas obras deixou desenhadas!


Coimbra... Das serenatas ao luar

Com sons de guitarras melodiosas!

Saem pelas gargantas a cantar...

As mais lindas vozes portuguesas!!


Matias José (05-05-2009)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

POESIA


Foto de João Paulo Galhardas (Palera) numa sepultura medieval escavada em rocha (sepulturas do Rosário), durante os trabalhos de escavação executados no curso Técnico de Arqueologia de Campo, no Concelho do Alandroal.


João Paulo Galhardas
Foto Conceição Roque


JOANA


Mãe!... Esse terno rosto, lindo sorriso

Quando na casa humilde me acolhias.

Oh!... Como tudo parecia caloroso...

Do jeito manso que sempre sorrias!


Mãe!... A casa tão pequenina acolhedora

De uma estranha paz no seu aconchego,

E as imagens da Virgem Nossa Senhora

Reconfortando a alma em desassossego!


Mãe!... Com as tuas mãos entrelaçavas

As minhas que dormir quase pareciam...

Ouvindo a tua voz enquanto rezavas,

Pedir à Virgem pelos que mais sofriam!


Mãe!... Quanta saudade do teu regaço,

Desses ternos carinhos que fazias!

Dos teus beijos... Do suave abraço,

E das palavras doces que me dizias!


Matias José ( 13-07-2009 )


Obs- Este poema é sobre uma grande “Mulher” que dedicou toda a sua vida a Deus e aos Outros ( eu... e ele, estamos incluídos nesses Outros de uma forma muito especial )

BEM-HAJAS JOANA!!!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pintura e Poesia


Banda Desenhada "O Roubo da Jóia"

João Paulo Galhardas

POESIA


"Última Poesia?..."


Se eu não escrever mais nenhuma poesia

Fica aqui uma última e derradeira homenagem,

A todos os poetas do mundo na sua viagem…

Pelas palavras autênticas que cada um escrevia!


Depois sigo o meu caminho na noite estrelada

Com a esperança enfim… De ter alguma calma!

não estarei quando chegar a madrugada…

Para onde será que vai descansar a alma?


Talvez encontre o caminho dos poetas mortos

Ou outro qualquer lugar onde me abrigar;

Eu que no mar atraquei em tantos portos ,

Porque não hei-de mais uma vez navegar?


Última poesia?... Será mesmo que vou escrever

Neste poema toda a magia das frases escritas?

Num golpe de génio deixar a escrita acontecer…

Escrevendo assim quanto penses e sintas!!!


Matias José (10-05-2009)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Literatura


MIA COUTO
Escritor Moçambicano
clicar na imagem


Biografia:

Mia Couto nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo".

Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983), só publicado em Portugal em 1999. Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990).Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Gato e o Escuro" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004) é o seu último livro de contos.

Em 1999 foi vencedor do prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, um dos mais conceituados prémios literários portugueses, no valor cinco mil euros, que já premiou Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho e Eduardo Lourenço, entre outros. Em 2001, recebeu também o Prémio Literário Mário António (que distingue obras e autores dos países africanos lusófonos e de Timor-Leste) atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian por "O Último Voo do Flamingo" (2000).

[por questões de organização, inclui-se aqui excepcionalmente o livro de poesia Raiz de Orvalho e Outros Poemas]

raiz de orvalho e outros poemas

o último voo do flamingo

na berma de nenhuma estrada

o gato e o escuro

vozes anoitecidas

estórias abensonhadas

cada homem é uma raça

contos do nascer da terra



SER QUE NUNCA FUI

Começo a chorar
do que não finjo
porque me enamorei
de caminhos
por onde não fui
e regressei
sem ter nunca partido
para o norte aceso
no arremesso da esperança

Nessas noites
em que de sombra
me disfarcei
e incitei os objectos
na procura de outra cor
encorajei-me
a um luar sem pausa
e vencendo o tempo que se fez tarde
disse: o meu corpo começa aqui
e apontei para nada
porque me havia convertido ao sonho
de ser igual
aos que não são nunca iguais

Faltou-me viver onde estava
mas ensinei-me
a não estar completamente onde estive
e a cidade dormindo em mim
não me viu entrar
na cidade que em mim despertava

Houve lágrimas que não matei
porque me fiz
de gesto que não prometi
e na noite abrindo-se
como toalha generosa
servi-me do meu desassossego
e assim me acrescentei
aos que sendo toda a gente
não foram nunca como toda a gente

Mia Couto (1982)